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Calculadora Capital

Como é calculado o salário líquido?

O salário líquido é o que recebe na conta depois de dois descontos: a Segurança Social (11 %) e o IRS. Veja como se chega ao valor.

8 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

O salário líquido é o salário bruto menos dois descontos obrigatórios: a Segurança Social, que leva 11 % do bruto a quem trabalha por conta de outrem, e o IRS. O IRS não incide sobre o bruto, mas sobre o rendimento coletável, o bruto anual menos a dedução específica (em 2026, 8 540 × IAS, ou seja, 4 587,09 €), ao qual se aplicam os escalões. Num salário de 1 500 € pago 14 vezes, o líquido ronda os 1 155 € por mês.

O que é o salário líquido?

O salário bruto é o valor que consta do seu contrato. O salário líquido é o que recebe mesmo na conta ao fim do mês, depois de dois descontos obrigatórios para quem trabalha por conta de outrem: a Segurança Social e o IRS.

A conta é simples na ideia:

Salário líquido = salário bruto − Segurança Social − IRS

O que muda de pessoa para pessoa é o tamanho de cada desconto. A Segurança Social é uma percentagem fixa; o IRS depende do quanto ganha. Vamos por partes.

Quanto desconta para a Segurança Social?

A Segurança Social do trabalhador por conta de outrem é uma taxa fixa de 11 % do salário bruto1. É descontada todos os meses e aplica-se a toda a remuneração, incluindo os subsídios de férias e de Natal.

A entidade empregadora contribui ainda com 23,75 % por fora, mas esse valor não sai do seu salário: é um custo da empresa. Para o seu líquido, o que conta são os 11 %.

Num salário bruto de 1 500 €, a Segurança Social leva 165 € por mês (11 % de 1 500 €).

Como entra o IRS?

O IRS é mais subtil, por duas razões.

Primeira: o IRS não incide sobre o salário bruto, mas sobre o rendimento coletável, o rendimento depois de abater a dedução específica do trabalho dependente. Em 2026, essa dedução é de 8,54 × IAS = 4 587,09 € (ou o total dos descontos para a Segurança Social, se for maior)2. O IAS de 2026 está fixado em 537,13 €4.

Segunda: o IRS é um imposto anual e progressivo. Ao rendimento coletável aplicam-se os escalões de 2026 (Art. 68.º): cada fatia do rendimento paga a sua taxa, e só a parte que entra num escalão superior paga a taxa mais alta3. Por isso a forma mais fiável de estimar o IRS de um salário é fazer a conta por ano e dividir no fim: é exatamente o acerto que a sua declaração de IRS faz. As tabelas de retenção na fonte que vê no recibo são apenas um adiantamento mensal desse valor, revisto depois na declaração.

Exemplo prático: um salário de 1 500 €

Imagine um salário bruto de 1 500 € por mês, pago 14 vezes (com subsídios). Ao ano são 21 000 €.

  1. Segurança Social: 11 % de 21 000 € = 2 310 € no ano (165 €/mês).
  2. Rendimento coletável: 21 000 € − 4 587,09 € (dedução específica) = 16 412,91 €.
  3. IRS: aplicando os escalões de 2026 a 16 412,91 €, a coleta é de cerca de 2 520 € no ano (180 €/mês).
  4. Líquido: 21 000 − 2 310 − 2 520 = 16 170 € por ano, ou seja, cerca de 1 155 € por mês.

A carga total (Segurança Social + IRS) fica perto de 23 % do bruto. Faça a conta com o seu salário na calculadora de salário líquido.

E quem ganha o salário mínimo?

Aqui há uma proteção importante: o mínimo de existência. Desde 2024 já não é um piso ao rendimento líquido: é um abatimento ao rendimento coletável (artigo 70.º do Código do IRS), calculado antes de os escalões se aplicarem. O valor de referência de 2026 é de 12 880 €, ou seja 14 × o salário mínimo de 920 €. Na prática, quem ganha perto do salário mínimo paga pouco ou nenhum IRS.

A Segurança Social (11 %), essa, aplica-se sempre, mesmo no salário mínimo. Por isso, para salários baixos, o líquido é quase o bruto menos os 11 %.

Nota: a calculadora de salário líquido não modela o mínimo de existência, pelo que, para salários perto do mínimo, mostra mais IRS do que o real, o seu líquido verdadeiro será mais alto.

Quanto é X euros brutos em líquidos? (tabela 2026)

Esta é a pergunta que a maior parte das pessoas faz. A tabela seguinte já tem a conta feita para os salários mais procurados, com os escalões de IRS de 2026 e os 11 % da Segurança Social, para um salário pago 14 vezes (com subsídios de férias e de Natal), tributação individual no Continente.

Bruto/mêsSegurança SocialIRSLíquido/mêsLíquido/ano
1 000 €110,00 €86,49 €803,51 €11 249 €
1 200 €132,00 €117,89 €950,11 €13 302 €
1 300 €143,00 €137,62 €1 019,38 €14 271 €
1 500 €165,00 €180,02 €1 154,98 €16 170 €
1 750 €192,50 €237,33 €1 320,17 €18 482 €
2 000 €220,00 €299,19 €1 480,81 €20 731 €
2 500 €275,00 €457,44 €1 767,56 €24 746 €
3 000 €330,00 €631,12 €2 038,88 €28 544 €
4 000 €440,00 €984,80 €2 575,20 €36 053 €

Repare no que a tabela mostra: dos 1 000 € aos 4 000 € o bruto quadruplica, mas o líquido só sobe para pouco mais do triplo. É a progressividade do IRS: a carga total passa de cerca de 20 % para cerca de 36 % do bruto.

E no salário mínimo? Em 2026 a retribuição mínima mensal garantida é de 920 €5. A Segurança Social leva sempre os 11 % (101,20 €), mas o mínimo de existência anula na prática o IRS, pelo que o líquido fica perto de 818,80 € por mês. Faça a conta com o seu valor na calculadora de salário líquido, ou, se souber o líquido e quiser o bruto, use a calculadora de salário bruto.

Porque é que o recibo não bate certo com esta conta

O valor de IRS que aparece no seu recibo de vencimento todos os meses não é o imposto final: é a retenção na fonte, um adiantamento calculado por tabelas mensais que dependem do estado civil, do número de titulares e dos dependentes. O imposto verdadeiro é o do acerto anual, o que fizemos acima, e é ele que a declaração de IRS apura no ano seguinte. A diferença entre o que lhe retiveram ao longo do ano e o que devia ter pago é exatamente o que dá origem ao reembolso (ou ao valor a pagar).

Por isso há duas contas úteis, e não uma: para saber quanto lhe sai neste mês, com estado civil e dependentes, veja o que é a retenção na fonte e use a calculadora de retenção na fonte; para saber quanto lhe sobra no ano, use a conta anual desta página.

O que ainda pode subir o seu líquido

O líquido real de muita gente é mais alto do que estas contas sugerem, por três razões que a estimativa base não inclui:

  • Subsídio de alimentação. É pago à parte e, dentro dos limites legais, não desconta IRS nem Segurança Social: em 2026, 6,15 € por dia em dinheiro e 10,46 € por dia em cartão ou vale de refeição6. Ou seja, chega quase por inteiro à conta. Veja o subsídio de refeição.
  • IRS Jovem. Isenta uma percentagem do rendimento do trabalho de quem tem até 35 anos, ao longo dos primeiros dez anos de carreira. Como mexe no IRS e não na Segurança Social, pode valer mais de cem euros por mês: veja o que é o IRS Jovem.
  • Duodécimos. Receber os subsídios de férias e de Natal diluídos pelos 12 meses não muda o total do ano, só a forma como ele chega: veja o que são os duodécimos.

Bruto, líquido e o que não está incluído

Para estimar o líquido com rigor, há fatores que mexem no IRS e que dependem da sua situação: dependentes, tributação conjunta (casais), deduções à coleta (saúde, educação, faturas) e regimes como o IRS Jovem. Todos tendem a reduzir o IRS, pelo que o seu líquido real pode ser um pouco mais alto do que uma estimativa individual simples.

Para perceber o imposto em detalhe, escalões, taxa média e marginal, tributação conjunta, veja como é calculado o IRS e use o simulador de IRS.

Erros comuns

  • Confundir salário bruto com salário líquido

    O bruto é o que consta do contrato; o líquido é o que recebe depois da Segurança Social e do IRS. Ao negociar um salário, confirme sempre se o valor é bruto ou líquido, a diferença é grande.

  • Pensar que o IRS incide sobre o salário bruto

    O IRS incide sobre o rendimento coletável, que é o bruto anual menos a dedução específica do trabalho dependente (4 587,09 € em 2026). É sobre esse valor mais baixo que se aplicam os escalões.

  • Assumir que quem ganha o salário mínimo paga IRS como os outros

    Os rendimentos mais baixos estão protegidos pelo mínimo de existência, que isenta de IRS grande parte do salário mínimo. A Segurança Social (11 %), essa, aplica-se sempre.

Perguntas frequentes

Como se calcula o salário líquido?
Ao salário bruto descontam-se a Segurança Social (11 % para quem trabalha por conta de outrem) e o IRS. O líquido é o bruto menos esses dois descontos. O IRS calcula-se sobre o rendimento coletável, o bruto anual menos a dedução específica, pelos escalões em vigor.
Quanto se desconta para a Segurança Social?
O trabalhador por conta de outrem desconta 11 % do salário bruto. A entidade empregadora contribui ainda com 23,75 % por fora, que não saem do seu salário. Os 11 % incidem sobre toda a remuneração, incluindo os subsídios de férias e de Natal.
Qual a diferença entre salário bruto e líquido?
O salário bruto é o valor acordado no contrato, antes de descontos. O salário líquido é o que efetivamente recebe na conta, depois de retirados a Segurança Social (11 %) e o IRS. O líquido é sempre menor do que o bruto.
Quem ganha o salário mínimo paga IRS?
Em geral, não, ou paga muito pouco. O mínimo de existência isenta de IRS grande parte do salário mínimo. Mesmo assim, a Segurança Social desconta sempre os 11 % do bruto.
O que é a dedução específica do trabalho dependente?
É um valor que se abate ao rendimento bruto anual antes de calcular o IRS. Em 2026 é de 8,54 × IAS = 4 587,09 € (ou o total dos descontos para a Segurança Social, se for maior). O que resta é o rendimento coletável, sobre o qual incidem os escalões.
Quanto é 1500 euros brutos em líquidos?
Em 2026, um salário bruto de 1 500 € por mês pago 14 vezes dá cerca de 1 155 € líquidos por mês: saem 165 € de Segurança Social e cerca de 180 € de IRS. No ano são 21 000 € brutos e 16 170 € líquidos.
Quanto desconta uma pessoa que ganha 2000 euros?
Com 2 000 € brutos por mês pagos 14 vezes, saem cerca de 220 € de Segurança Social e 299 € de IRS, ou seja, perto de 519 € por mês (26 % do bruto). O líquido fica em cerca de 1 481 € por mês.
Porque é que o valor do recibo é diferente desta conta?
O IRS do recibo é a retenção na fonte, um adiantamento calculado por tabelas mensais que dependem do estado civil e dos dependentes. O imposto verdadeiro é o do acerto anual, e a diferença entre os dois é o que origina o reembolso ou o valor a pagar na declaração.
Veja o seu líquido, mensal e anual, na calculadora de salário líquido.

Fontes

  1. 1.Taxas contributivas da Segurança Social, trabalhador por conta de outrem (11 %) · Segurança Social · consultado a 2/06/2026
  2. 2.Artigo 25.º do Código do IRS, dedução específica da Categoria A · Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 2/06/2026
  3. 3.Artigo 68.º do Código do IRS, taxas gerais (escalões de 2026) · Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 2/06/2026
  4. 4.Portaria n.º 480-A/2025/1, de 30 de dezembro, valor do IAS para 2026 (537,13 €) · Diário da República · consultado a 2/06/2026
  5. 5.Decreto-Lei n.º 139/2025, retribuição mínima mensal garantida de 920 € em 2026 · Diário da República · consultado a 7/08/2026
  6. 6.Portaria n.º 51-B/2026/1, subsídio de refeição da Administração Pública (6,15 €) · Diário da República · consultado a 7/08/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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