Como é calculado o salário líquido?
O salário líquido é o que recebe na conta depois de dois descontos: a Segurança Social (11 %) e o IRS. Veja como se chega ao valor.

Resposta rápida
O salário líquido é o salário bruto menos dois descontos obrigatórios: a Segurança Social, que leva 11 % do bruto a quem trabalha por conta de outrem, e o IRS. O IRS não incide sobre o bruto, mas sobre o rendimento coletável, o bruto anual menos a dedução específica (em 2026, 8 540 × IAS, ou seja, 4 587,09 €), ao qual se aplicam os escalões. Num salário de 1 500 € pago 14 vezes, o líquido ronda os 1 155 € por mês.
O que é o salário líquido?
O salário bruto é o valor que consta do seu contrato. O salário líquido é o que recebe mesmo na conta ao fim do mês, depois de dois descontos obrigatórios para quem trabalha por conta de outrem: a Segurança Social e o IRS.
A conta é simples na ideia:
Salário líquido = salário bruto − Segurança Social − IRS
O que muda de pessoa para pessoa é o tamanho de cada desconto. A Segurança Social é uma percentagem fixa; o IRS depende do quanto ganha. Vamos por partes.
Quanto desconta para a Segurança Social?
A Segurança Social do trabalhador por conta de outrem é uma taxa fixa de 11 % do salário bruto1. É descontada todos os meses e aplica-se a toda a remuneração, incluindo os subsídios de férias e de Natal.
A entidade empregadora contribui ainda com 23,75 % por fora, mas esse valor não sai do seu salário: é um custo da empresa. Para o seu líquido, o que conta são os 11 %.
Num salário bruto de 1 500 €, a Segurança Social leva 165 € por mês (11 % de 1 500 €).
Como entra o IRS?
O IRS é mais subtil, por duas razões.
Primeira: o IRS não incide sobre o salário bruto, mas sobre o rendimento coletável, o rendimento depois de abater a dedução específica do trabalho dependente. Em 2026, essa dedução é de 8,54 × IAS = 4 587,09 € (ou o total dos descontos para a Segurança Social, se for maior)2. O IAS de 2026 está fixado em 537,13 €4.
Segunda: o IRS é um imposto anual e progressivo. Ao rendimento coletável aplicam-se os escalões de 2026 (Art. 68.º): cada fatia do rendimento paga a sua taxa, e só a parte que entra num escalão superior paga a taxa mais alta3. Por isso a forma mais fiável de estimar o IRS de um salário é fazer a conta por ano e dividir no fim: é exatamente o acerto que a sua declaração de IRS faz. As tabelas de retenção na fonte que vê no recibo são apenas um adiantamento mensal desse valor, revisto depois na declaração.
Exemplo prático: um salário de 1 500 €
Imagine um salário bruto de 1 500 € por mês, pago 14 vezes (com subsídios). Ao ano são 21 000 €.
- Segurança Social: 11 % de 21 000 € = 2 310 € no ano (165 €/mês).
- Rendimento coletável: 21 000 € − 4 587,09 € (dedução específica) = 16 412,91 €.
- IRS: aplicando os escalões de 2026 a 16 412,91 €, a coleta é de cerca de 2 520 € no ano (180 €/mês).
- Líquido: 21 000 − 2 310 − 2 520 = 16 170 € por ano, ou seja, cerca de 1 155 € por mês.
A carga total (Segurança Social + IRS) fica perto de 23 % do bruto. Faça a conta com o seu salário na calculadora de salário líquido.
E quem ganha o salário mínimo?
Aqui há uma proteção importante: o mínimo de existência. Desde 2024 já não é um piso ao rendimento líquido: é um abatimento ao rendimento coletável (artigo 70.º do Código do IRS), calculado antes de os escalões se aplicarem. O valor de referência de 2026 é de 12 880 €, ou seja 14 × o salário mínimo de 920 €. Na prática, quem ganha perto do salário mínimo paga pouco ou nenhum IRS.
A Segurança Social (11 %), essa, aplica-se sempre, mesmo no salário mínimo. Por isso, para salários baixos, o líquido é quase o bruto menos os 11 %.
Nota: a calculadora de salário líquido não modela o mínimo de existência, pelo que, para salários perto do mínimo, mostra mais IRS do que o real, o seu líquido verdadeiro será mais alto.
Quanto é X euros brutos em líquidos? (tabela 2026)
Esta é a pergunta que a maior parte das pessoas faz. A tabela seguinte já tem a conta feita para os salários mais procurados, com os escalões de IRS de 2026 e os 11 % da Segurança Social, para um salário pago 14 vezes (com subsídios de férias e de Natal), tributação individual no Continente.
| Bruto/mês | Segurança Social | IRS | Líquido/mês | Líquido/ano |
|---|---|---|---|---|
| 1 000 € | 110,00 € | 86,49 € | 803,51 € | 11 249 € |
| 1 200 € | 132,00 € | 117,89 € | 950,11 € | 13 302 € |
| 1 300 € | 143,00 € | 137,62 € | 1 019,38 € | 14 271 € |
| 1 500 € | 165,00 € | 180,02 € | 1 154,98 € | 16 170 € |
| 1 750 € | 192,50 € | 237,33 € | 1 320,17 € | 18 482 € |
| 2 000 € | 220,00 € | 299,19 € | 1 480,81 € | 20 731 € |
| 2 500 € | 275,00 € | 457,44 € | 1 767,56 € | 24 746 € |
| 3 000 € | 330,00 € | 631,12 € | 2 038,88 € | 28 544 € |
| 4 000 € | 440,00 € | 984,80 € | 2 575,20 € | 36 053 € |
Repare no que a tabela mostra: dos 1 000 € aos 4 000 € o bruto quadruplica, mas o líquido só sobe para pouco mais do triplo. É a progressividade do IRS: a carga total passa de cerca de 20 % para cerca de 36 % do bruto.
E no salário mínimo? Em 2026 a retribuição mínima mensal garantida é de 920 €5. A Segurança Social leva sempre os 11 % (101,20 €), mas o mínimo de existência anula na prática o IRS, pelo que o líquido fica perto de 818,80 € por mês. Faça a conta com o seu valor na calculadora de salário líquido, ou, se souber o líquido e quiser o bruto, use a calculadora de salário bruto.
Porque é que o recibo não bate certo com esta conta
O valor de IRS que aparece no seu recibo de vencimento todos os meses não é o imposto final: é a retenção na fonte, um adiantamento calculado por tabelas mensais que dependem do estado civil, do número de titulares e dos dependentes. O imposto verdadeiro é o do acerto anual, o que fizemos acima, e é ele que a declaração de IRS apura no ano seguinte. A diferença entre o que lhe retiveram ao longo do ano e o que devia ter pago é exatamente o que dá origem ao reembolso (ou ao valor a pagar).
Por isso há duas contas úteis, e não uma: para saber quanto lhe sai neste mês, com estado civil e dependentes, veja o que é a retenção na fonte e use a calculadora de retenção na fonte; para saber quanto lhe sobra no ano, use a conta anual desta página.
O que ainda pode subir o seu líquido
O líquido real de muita gente é mais alto do que estas contas sugerem, por três razões que a estimativa base não inclui:
- Subsídio de alimentação. É pago à parte e, dentro dos limites legais, não desconta IRS nem Segurança Social: em 2026, 6,15 € por dia em dinheiro e 10,46 € por dia em cartão ou vale de refeição6. Ou seja, chega quase por inteiro à conta. Veja o subsídio de refeição.
- IRS Jovem. Isenta uma percentagem do rendimento do trabalho de quem tem até 35 anos, ao longo dos primeiros dez anos de carreira. Como mexe no IRS e não na Segurança Social, pode valer mais de cem euros por mês: veja o que é o IRS Jovem.
- Duodécimos. Receber os subsídios de férias e de Natal diluídos pelos 12 meses não muda o total do ano, só a forma como ele chega: veja o que são os duodécimos.
Bruto, líquido e o que não está incluído
Para estimar o líquido com rigor, há fatores que mexem no IRS e que dependem da sua situação: dependentes, tributação conjunta (casais), deduções à coleta (saúde, educação, faturas) e regimes como o IRS Jovem. Todos tendem a reduzir o IRS, pelo que o seu líquido real pode ser um pouco mais alto do que uma estimativa individual simples.
Para perceber o imposto em detalhe, escalões, taxa média e marginal, tributação conjunta, veja como é calculado o IRS e use o simulador de IRS.
Erros comuns
Confundir salário bruto com salário líquido
O bruto é o que consta do contrato; o líquido é o que recebe depois da Segurança Social e do IRS. Ao negociar um salário, confirme sempre se o valor é bruto ou líquido, a diferença é grande.
Pensar que o IRS incide sobre o salário bruto
O IRS incide sobre o rendimento coletável, que é o bruto anual menos a dedução específica do trabalho dependente (4 587,09 € em 2026). É sobre esse valor mais baixo que se aplicam os escalões.
Assumir que quem ganha o salário mínimo paga IRS como os outros
Os rendimentos mais baixos estão protegidos pelo mínimo de existência, que isenta de IRS grande parte do salário mínimo. A Segurança Social (11 %), essa, aplica-se sempre.
Perguntas frequentes
Como se calcula o salário líquido?
Quanto se desconta para a Segurança Social?
Qual a diferença entre salário bruto e líquido?
Quem ganha o salário mínimo paga IRS?
O que é a dedução específica do trabalho dependente?
Quanto é 1500 euros brutos em líquidos?
Quanto desconta uma pessoa que ganha 2000 euros?
Porque é que o valor do recibo é diferente desta conta?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Taxas contributivas da Segurança Social, trabalhador por conta de outrem (11 %) · Segurança Social · consultado a 2/06/2026
- 2.Artigo 25.º do Código do IRS, dedução específica da Categoria A · Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 2/06/2026
- 3.Artigo 68.º do Código do IRS, taxas gerais (escalões de 2026) · Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 2/06/2026
- 4.Portaria n.º 480-A/2025/1, de 30 de dezembro, valor do IAS para 2026 (537,13 €) · Diário da República · consultado a 2/06/2026
- 5.Decreto-Lei n.º 139/2025, retribuição mínima mensal garantida de 920 € em 2026 · Diário da República · consultado a 7/08/2026
- 6.Portaria n.º 51-B/2026/1, subsídio de refeição da Administração Pública (6,15 €) · Diário da República · consultado a 7/08/2026
Autor / Revisto por
Autor
Thorben Rasmus Idel
Cofundador e autor
Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
Revisto por
Nahar Geva
Cofundação e revisão independente
Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.
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