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O que são os duodécimos e como funcionam?

Os duodécimos são uma forma de receber os subsídios de férias e de Natal divididos pelos 12 meses do ano, em vez de dois pagamentos por inteiro.

4 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

Os duodécimos são os subsídios de férias e de Natal recebidos divididos pelos 12 meses do ano, somados a cada salário, em vez de dois pagamentos por inteiro. Como cada subsídio vale um mês de salário, um duodécimo é o salário a dividir por 12. Recebe sempre 14 salários no ano, por isso o total anual é exatamente o mesmo em qualquer opção (0 %, 50 % ou 100 % em duodécimos): muda só a distribuição pelos meses. A 100 %, o vencimento mensal sobe, mas não recebe os subsídios grandes em junho e dezembro. A Segurança Social e o IRS incidem sobre o mesmo total no ano; só a retenção mês a mês pode variar. Receber em duodécimos depende de acordo com a entidade empregadora.

O que são os duodécimos?

Em Portugal recebe 14 «salários» por ano: as 12 mensalidades, mais o subsídio de férias e o subsídio de Natal. Cada subsídio é igual a um mês de retribuição12.

Por regra, cada subsídio é pago por inteiro: o de Natal até 15 de dezembro e o de férias antes do período de férias. Receber em duodécimos é a alternativa: em vez desses dois pagamentos grandes, recebe um duodécimo de cada subsídio (o valor do subsídio a dividir por 12) somado a cada salário mensal.

Receber em duodécimos não é automático: depende de acordo escrito entre o trabalhador e a entidade empregadora.

Como se calcula o duodécimo mensal

A conta é simples, porque cada subsídio vale exatamente um mês de salário:

  • Um duodécimo de um subsídio = salário ÷ 12.
  • Em duodécimos a 100 % nos dois subsídios, recebe dois duodécimos por mês: o do subsídio de férias mais o do subsídio de Natal, ou seja salário × 2 ÷ 12.
  • A 50 %, recebe metade em duodécimos e a outra metade num pagamento único.

Com um salário de 1 500 €, um duodécimo de cada subsídio é 125 €. A 100 %, soma 250 € por mês (125 € + 125 €), e o vencimento mensal passa de 1 500 € para 1 750 €.

O total do ano é sempre igual

Este é o ponto que mais gente engana. Os duodécimos não fazem receber mais nem menos no ano. Recebe sempre 14 salários, qualquer que seja a opção:

  • A 0 %: recebe o salário mensal e os dois subsídios por inteiro em junho e dezembro.
  • A 50 %: recebe um vencimento mensal um pouco maior e metade de cada subsídio num pagamento único.
  • A 100 %: recebe um vencimento mensal mais alto e abdica dos dois pagamentos grandes.

A soma anual é idêntica nas três opções. A diferença é só de tesouraria: ou um rendimento mensal mais alto e regular, ou dois reforços grandes a meio e no fim do ano.

Exemplo prático: um salário de 1 500 €

Com um salário base de 1 500 € por mês, recebe 21 000 € no ano (14 × 1 500 €) em qualquer opção:

  • 0 % em duodécimos: 1 500 € por mês, mais dois subsídios de 1 500 € por inteiro (junho e dezembro).
  • 50 %: 1 625 € por mês (mais 125 €), mais 750 € de cada subsídio em pagamento único.
  • 100 %: 1 750 € por mês (mais 250 €) e nenhum pagamento grande de subsídio.

Nos três casos, o total do ano é 21 000 €. Veja o seu caso na calculadora de duodécimos.

Duodécimos e o IRS

A dúvida frequente é se os duodécimos pagam mais IRS. No total do ano, não: o IRS incide sobre o mesmo rendimento, e a Segurança Social (11 %) também.

O que pode mudar é a retenção mês a mês. Um subsídio pago por inteiro é retido à parte (não se soma ao salário do mês para efeitos da tabela de retenção). Já o duodécimo soma-se ao salário e pode fazer o rendimento do mês cair num escalão de retenção mais alto, retendo um pouco mais em cada mês. Esse efeito é só de retenção (um adiantamento): o acerto faz-se na declaração anual, onde o imposto devido é o mesmo. Para perceber esse lado, veja a calculadora de retenção na fonte.

Por inteiro ou em duodécimos: qual escolher?

Como o valor total é igual, a escolha é de gestão do dinheiro:

  • Em duodécimos se prefere um rendimento mensal mais alto e regular ao longo do ano.
  • Por inteiro se prefere dois reforços grandes (por exemplo para as férias de verão e para o Natal) e consegue gerir os meses sem esse acréscimo.

Para ver quanto vale cada subsídio e como se calcula, use a calculadora de subsídio de férias e de Natal.

Erros comuns

  • Achar que se recebe mais em duodécimos

    O total anual é exatamente o mesmo nas três opções, porque recebe sempre 14 salários. Os duodécimos só mudam a distribuição pelos meses, não o valor que recebe no ano.

  • Pensar que os duodécimos baixam o IRS do ano

    No total do ano, o IRS é o mesmo: incide sobre o mesmo rendimento. O que pode mudar é a retenção mês a mês, porque o duodécimo se soma ao salário e pode cair num escalão de retenção mais alto. O acerto faz-se sempre na declaração anual.

  • Assumir que basta pedir para receber em duodécimos

    Por regra, os subsídios são pagos por inteiro (o de Natal até 15 de dezembro, o de férias antes das férias). Receber em duodécimos depende de acordo escrito com a entidade empregadora.

Perguntas frequentes

O que são os duodécimos?
É receber os subsídios de férias e de Natal divididos pelos 12 meses do ano, somados a cada salário, em vez de dois pagamentos por inteiro. Cada subsídio vale um mês de salário, por isso um duodécimo é o subsídio a dividir por 12.
Como se calculam os duodécimos?
Como cada subsídio é um mês de salário, um duodécimo é o salário a dividir por 12. Em duodécimos a 100 % nos dois subsídios, soma o salário × 2 ÷ 12 a cada mês. Com 1 500 € de salário, são 250 € por mês (125 € de cada subsídio); a 50 %, são 125 € por mês.
Recebo mais dinheiro em duodécimos?
Não. O total que recebe no ano é exatamente o mesmo, 14 salários, receba por inteiro ou em duodécimos. Os duodécimos só mudam a distribuição: vencimentos mensais mais altos e regulares, em troca de abdicar dos dois pagamentos grandes de subsídio em junho e dezembro.
Os duodécimos pagam mais IRS?
No total do ano, não: o IRS incide sobre o mesmo rendimento. O que pode mudar é a retenção mensal, porque o duodécimo se soma ao salário e pode cair num escalão de retenção mais alto. A diferença acerta-se na declaração anual de IRS.
Compensa receber os subsídios em duodécimos?
Depende da sua preferência. Se prefere um rendimento mensal mais alto e regular, os duodécimos ajudam. Se prefere dois reforços grandes a meio e no fim do ano (por exemplo para férias ou para o Natal), o pagamento por inteiro pode ser melhor. O valor total é igual nos dois casos.

Fontes

  1. 1.Código do Trabalho, Art. 264.º, subsídio de férias (um mês de retribuição)Diário da República · consultado a 7/06/2026
  2. 2.Código do Trabalho, Art. 263.º, subsídio de Natal (um mês de retribuição, até 15 de dezembro)Diário da República · consultado a 7/06/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Founder & writer

Co-founder of Calculadora Capital. Writes the methodology and verifies the math behind every page.

Revisto por

Nahar Geva

Co-founder & reviewer

Co-founder of Calculadora Capital. Reviews the methodology and verifies the math behind every page.

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