Quanto lhe custa deixar o dinheiro parado no banco?
Parece seguro, mas não é gratuito: com juros abaixo da inflação, o dinheiro no banco compra cada ano um pouco menos. As contas, com as taxas reais de 2026.
SérieInvestir com CabeçaAto 1: O problema1/12
Resposta rápida
Deixar dinheiro parado no banco não é grátis. Em 2026, um depósito a prazo rende em média cerca de 1,4 % brutos, pouco mais de 1 % depois do imposto, enquanto a inflação foi de 2,3 % em 2025. Vinte mil euros num depósito compram, dez anos depois, o equivalente a cerca de 17 600 € de hoje. Numa conta à ordem, cerca de 15 900 €. A perda é silenciosa, mas é real.
Porque é que o dinheiro parado perde valor?
Porque os preços sobem e o saldo não acompanha. A inflação em Portugal foi de 2,4 % em 2024 e de 2,3 % em 2025, medida pelo Índice de Preços no Consumidor2. No mesmo período, a taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares caiu de cerca de 2,2 % para 1,36 %1. E sobre esses juros ainda há imposto: 28 % de IRS, retido na fonte3.
Feitas as contas, um depósito a prazo típico rende hoje cerca de 0,98 % líquidos ao ano, contra uma inflação de 2,3 %. O juro real, o que interessa, é de cerca de menos 0,9 %. Cada ano que passa, o dinheiro no banco compra um pouco menos. Numa conta à ordem, onde a maioria dos bancos paga zero, a perda é a inflação inteira.
Isto não é uma crítica aos bancos nem aos depósitos. É a descrição de uma taxa de juro que está abaixo da subida dos preços, e do que isso faz a quem poupa.
Quanto custa, em euros?
Vamos a um caso concreto: 20 000 € guardados durante dez anos, com a inflação nos 2,3 % que o INE mediu em 2025. Três cenários, todos calculados com as ferramentas deste site:
| Onde está o dinheiro | Saldo ao fim de 10 anos | O que compra, em euros de hoje | Perda de poder de compra |
|---|---|---|---|
| Conta à ordem (0 %) | 20 000 € | cerca de 15 900 € | cerca de 4 100 € |
| Depósito a prazo (1,36 % brutos, 0,98 % líquidos) | cerca de 22 050 € | cerca de 17 600 € | cerca de 2 400 € |
| Investido a 5 % brutos (3,6 % líquidos) | cerca de 28 500 € | cerca de 22 700 € | ganho de cerca de 2 700 € |
Premissas: inflação constante de 2,3 %, juros dos depósitos a 1,36 % com 28 % de IRS retido todos os anos, e um investimento a 5 % brutos ao ano, também tributado a 28 %. Os 5 % são uma hipótese ilustrativa, não uma promessa: o retorno de um investimento varia e pode ser negativo em alguns anos. O que não varia é a perda no depósito.
Repare no que a tabela mostra: no depósito, o saldo sobe 2 050 €, e ainda assim a pessoa fica a perder 2 400 € de poder de compra. É por isso que a perda passa despercebida. O extrato bancário conta uma história, o supermercado conta outra.
E para quem poupa todos os meses?
O efeito repete-se com reforços mensais, só que ao longo de mais tempo. Alguém que poupa 200 € por mês durante 20 anos investe 48 000 € do seu bolso. O que acontece a esse dinheiro depende quase só de onde o põe:
| Onde | Saldo ao fim de 20 anos | Em euros de hoje |
|---|---|---|
| Depósito a prazo (0,98 % líquidos) | cerca de 53 000 € | cerca de 33 600 € |
| Investido a 5 % brutos (3,6 % líquidos) | cerca de 70 100 € | cerca de 44 500 € |
No depósito, os 48 000 € poupados com esforço valem, em poder de compra, cerca de 33 600 €. Vinte anos de disciplina, e a inflação comeu quase um terço. Pode reproduzir estas contas na calculadora de juros compostos, que já inclui o imposto e a inflação.
Então o dinheiro não deve estar no banco?
Deve. Parte dele. A regra prática tem duas caixas:
- O fundo de emergência, entre três e seis meses de despesas, fica onde é seguro e está disponível de um dia para o outro: depósito a prazo com mobilização antecipada, conta poupança ou Certificados de Aforro. Aqui o objetivo não é render, é estar lá quando o carro avaria. Os depósitos até 100 000 € por titular e por banco estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos4.
- O dinheiro de que não vai precisar nos próximos anos é o que este artigo trata. Esse é o que perde com a inflação e o que tem tempo para render mais do que ela.
O erro comum não é ter dinheiro no banco. É ter todo o dinheiro no banco, incluindo o que só vai ser usado daqui a dez ou vinte anos.
O que fazer com o resto?
É a pergunta que o resto da série responde, por ordem. Primeiro, porque é que tentar acertar no momento certo para investir não funciona (e porque isso é boa notícia). Depois, o que os dados dizem sobre fundos, ETF e comissões. E por fim, como montar uma carteira simples e dar o primeiro passo. Nenhum destes passos exige prever a bolsa ou escolher ações. Exige apenas perceber que o dinheiro parado tem um custo, e que esse custo se mede.
Antes de avançar, ponha os seus próprios números na calculadora de inflação: o saldo que tem parado, a taxa que o banco lhe paga e os anos que faltam até precisar dele.
Erros comuns
Confundir juro nominal com juro real
Um depósito a 1,36 % com inflação a 2,3 % tem um juro real de cerca de menos 0,9 % ao ano. O saldo cresce, o que ele compra encolhe. Só o juro real diz se está a ganhar ou a perder.
Esquecer o imposto sobre os juros
Em Portugal, os juros de depósitos pagam 28 % de IRS por retenção na fonte. De 1,36 % brutos sobram cerca de 0,98 % líquidos. As contas deste artigo já incluem esse imposto.
Tratar todo o dinheiro da mesma forma
O fundo de emergência (três a seis meses de despesas) tem de estar disponível e seguro: banco ou Certificados de Aforro. O erro é deixar também as poupanças de longo prazo nesse regime.
Perguntas frequentes
Quanto rende o dinheiro no banco em 2026?
É seguro deixar o dinheiro parado no banco?
A inflação afeta as poupanças?
Vale a pena um depósito a prazo em 2026?
Quanto perco se deixar 10 000 € à ordem durante cinco anos?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Taxa de juro (TAA) de novos depósitos a prazo dos particulares, série mensal · Banco de Portugal, BPstat
- 2.Índice de Preços no Consumidor, dezembro de 2025: taxa de variação média anual de 2,3 % · Instituto Nacional de Estatística
- 3.Código do IRS, artigo 71.º: taxas liberatórias (28 % sobre juros de depósitos) · Autoridade Tributária e Aduaneira
- 4.Fundo de Garantia de Depósitos: cobertura até 100 000 € por depositante e instituição · Fundo de Garantia de Depósitos
Autor / Revisto por
Autor
Thorben Rasmus Idel
Cofundador e autor
Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
Revisto por
Nahar Geva
Cofundação e revisão independente
Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.
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