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Calculadora Capital

Quanto lhe custa deixar o dinheiro parado no banco?

Parece seguro, mas não é gratuito: com juros abaixo da inflação, o dinheiro no banco compra cada ano um pouco menos. As contas, com as taxas reais de 2026.

5 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

SérieInvestir com CabeçaAto 1: O problema1/12

Resposta rápida

Deixar dinheiro parado no banco não é grátis. Em 2026, um depósito a prazo rende em média cerca de 1,4 % brutos, pouco mais de 1 % depois do imposto, enquanto a inflação foi de 2,3 % em 2025. Vinte mil euros num depósito compram, dez anos depois, o equivalente a cerca de 17 600 € de hoje. Numa conta à ordem, cerca de 15 900 €. A perda é silenciosa, mas é real.

Porque é que o dinheiro parado perde valor?

Porque os preços sobem e o saldo não acompanha. A inflação em Portugal foi de 2,4 % em 2024 e de 2,3 % em 2025, medida pelo Índice de Preços no Consumidor2. No mesmo período, a taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares caiu de cerca de 2,2 % para 1,36 %1. E sobre esses juros ainda há imposto: 28 % de IRS, retido na fonte3.

Feitas as contas, um depósito a prazo típico rende hoje cerca de 0,98 % líquidos ao ano, contra uma inflação de 2,3 %. O juro real, o que interessa, é de cerca de menos 0,9 %. Cada ano que passa, o dinheiro no banco compra um pouco menos. Numa conta à ordem, onde a maioria dos bancos paga zero, a perda é a inflação inteira.

Isto não é uma crítica aos bancos nem aos depósitos. É a descrição de uma taxa de juro que está abaixo da subida dos preços, e do que isso faz a quem poupa.

Quanto custa, em euros?

Vamos a um caso concreto: 20 000 € guardados durante dez anos, com a inflação nos 2,3 % que o INE mediu em 2025. Três cenários, todos calculados com as ferramentas deste site:

Onde está o dinheiroSaldo ao fim de 10 anosO que compra, em euros de hojePerda de poder de compra
Conta à ordem (0 %)20 000 €cerca de 15 900 €cerca de 4 100 €
Depósito a prazo (1,36 % brutos, 0,98 % líquidos)cerca de 22 050 €cerca de 17 600 €cerca de 2 400 €
Investido a 5 % brutos (3,6 % líquidos)cerca de 28 500 €cerca de 22 700 €ganho de cerca de 2 700 €

Premissas: inflação constante de 2,3 %, juros dos depósitos a 1,36 % com 28 % de IRS retido todos os anos, e um investimento a 5 % brutos ao ano, também tributado a 28 %. Os 5 % são uma hipótese ilustrativa, não uma promessa: o retorno de um investimento varia e pode ser negativo em alguns anos. O que não varia é a perda no depósito.

Repare no que a tabela mostra: no depósito, o saldo sobe 2 050 €, e ainda assim a pessoa fica a perder 2 400 € de poder de compra. É por isso que a perda passa despercebida. O extrato bancário conta uma história, o supermercado conta outra.

E para quem poupa todos os meses?

O efeito repete-se com reforços mensais, só que ao longo de mais tempo. Alguém que poupa 200 € por mês durante 20 anos investe 48 000 € do seu bolso. O que acontece a esse dinheiro depende quase só de onde o põe:

OndeSaldo ao fim de 20 anosEm euros de hoje
Depósito a prazo (0,98 % líquidos)cerca de 53 000 €cerca de 33 600 €
Investido a 5 % brutos (3,6 % líquidos)cerca de 70 100 €cerca de 44 500 €

No depósito, os 48 000 € poupados com esforço valem, em poder de compra, cerca de 33 600 €. Vinte anos de disciplina, e a inflação comeu quase um terço. Pode reproduzir estas contas na calculadora de juros compostos, que já inclui o imposto e a inflação.

Então o dinheiro não deve estar no banco?

Deve. Parte dele. A regra prática tem duas caixas:

  1. O fundo de emergência, entre três e seis meses de despesas, fica onde é seguro e está disponível de um dia para o outro: depósito a prazo com mobilização antecipada, conta poupança ou Certificados de Aforro. Aqui o objetivo não é render, é estar lá quando o carro avaria. Os depósitos até 100 000 € por titular e por banco estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos4.
  2. O dinheiro de que não vai precisar nos próximos anos é o que este artigo trata. Esse é o que perde com a inflação e o que tem tempo para render mais do que ela.

O erro comum não é ter dinheiro no banco. É ter todo o dinheiro no banco, incluindo o que só vai ser usado daqui a dez ou vinte anos.

O que fazer com o resto?

É a pergunta que o resto da série responde, por ordem. Primeiro, porque é que tentar acertar no momento certo para investir não funciona (e porque isso é boa notícia). Depois, o que os dados dizem sobre fundos, ETF e comissões. E por fim, como montar uma carteira simples e dar o primeiro passo. Nenhum destes passos exige prever a bolsa ou escolher ações. Exige apenas perceber que o dinheiro parado tem um custo, e que esse custo se mede.

Antes de avançar, ponha os seus próprios números na calculadora de inflação: o saldo que tem parado, a taxa que o banco lhe paga e os anos que faltam até precisar dele.

Erros comuns

  • Confundir juro nominal com juro real

    Um depósito a 1,36 % com inflação a 2,3 % tem um juro real de cerca de menos 0,9 % ao ano. O saldo cresce, o que ele compra encolhe. Só o juro real diz se está a ganhar ou a perder.

  • Esquecer o imposto sobre os juros

    Em Portugal, os juros de depósitos pagam 28 % de IRS por retenção na fonte. De 1,36 % brutos sobram cerca de 0,98 % líquidos. As contas deste artigo já incluem esse imposto.

  • Tratar todo o dinheiro da mesma forma

    O fundo de emergência (três a seis meses de despesas) tem de estar disponível e seguro: banco ou Certificados de Aforro. O erro é deixar também as poupanças de longo prazo nesse regime.

Perguntas frequentes

Quanto rende o dinheiro no banco em 2026?
A taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares era de 1,36 % em fevereiro de 2026, segundo o Banco de Portugal. Um ano antes rondava os 2,2 %. Depois dos 28 % de IRS, ficam cerca de 0,98 % líquidos. A conta à ordem rende, na maioria dos bancos, zero.
É seguro deixar o dinheiro parado no banco?
Seguro contra perda nominal, sim: os depósitos até 100 000 € por titular e por banco estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Seguro contra a inflação, não. O risco de um depósito não é perder o dinheiro, é perder o que ele compra.
A inflação afeta as poupanças?
Sim, todos os anos, mesmo quando é baixa. Com 2,3 % de inflação, 100 € de hoje compram daqui a dez anos o mesmo que cerca de 80 € compram agora. Só uma remuneração acima da inflação mantém o poder de compra.
Vale a pena um depósito a prazo em 2026?
Para o fundo de emergência e para dinheiro de que vai precisar em menos de dois ou três anos, sim: liquidez e capital garantido. Para poupanças de longo prazo, um depósito abaixo da inflação garante apenas uma perda lenta. Compare com os Certificados de Aforro e com alternativas de mais longo prazo.
Quanto perco se deixar 10 000 € à ordem durante cinco anos?
Com 2,3 % de inflação e juro zero, 10 000 € valem daqui a cinco anos o equivalente a cerca de 8 900 € de hoje. A perda de poder de compra ronda os 1 100 €. Pode fazer a conta com os seus valores na calculadora de inflação.

Fontes

  1. 1.Taxa de juro (TAA) de novos depósitos a prazo dos particulares, série mensal · Banco de Portugal, BPstat
  2. 2.Índice de Preços no Consumidor, dezembro de 2025: taxa de variação média anual de 2,3 % · Instituto Nacional de Estatística
  3. 3.Código do IRS, artigo 71.º: taxas liberatórias (28 % sobre juros de depósitos) · Autoridade Tributária e Aduaneira
  4. 4.Fundo de Garantia de Depósitos: cobertura até 100 000 € por depositante e instituição · Fundo de Garantia de Depósitos

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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