O que é um depósito a prazo? Guia simples com exemplos
Um depósito a prazo é poupança de capital garantido que rende a uma taxa fixa. O que conta é o juro líquido, depois do imposto de 28%.
Resposta rápida
Um depósito a prazo é um produto de poupança em que entrega dinheiro ao banco por um prazo fixo a uma taxa de juro conhecida à partida. O capital é garantido e os juros pagam 28% de imposto na fonte, por isso o que recebe é o juro líquido, não o bruto.
O que é um depósito a prazo?
Um depósito a prazo é um produto de poupança em que entrega um montante ao banco durante um período fixo, por exemplo 6, 12 ou 24 meses, a uma taxa de juro conhecida à partida. No fim do prazo recebe o capital de volta mais os juros. É um dos produtos de capital garantido mais usados em Portugal, precisamente porque não há surpresas: sabe desde o início quanto vai render.
A taxa anunciada é a TANB (taxa anual nominal bruta). É bruta porque ainda não desconta o imposto, e é aí que muita gente se engana ao comparar produtos.
Como funciona um depósito a prazo?
O mecanismo é simples:
- Entrega um montante (o capital) ao banco.
- O banco aplica a taxa bruta durante o prazo combinado.
- No vencimento, devolve o capital e paga os juros.
Os juros brutos são proporcionais ao prazo: a taxa é anual, por isso um prazo inferior a um ano rende a fração correspondente. A fórmula que a nossa calculadora de depósito a prazo aplica é:
Juros brutos = Montante × taxa bruta × (meses ÷ 12)
Alguns depósitos permitem renovação automática no fim do prazo e outros mobilização antecipada (levantar antes do tempo), normalmente com perda de parte dos juros. Confirme sempre estas condições na ficha de informação normalizada antes de subscrever.
Os juros de um depósito a prazo pagam imposto?
Sim, e este é o ponto que mais altera as contas. Os juros de depósitos são rendimentos de capitais (Categoria E do IRS) e são tributados na fonte a 28%, a chamada taxa liberatória, no Continente1. O banco retém o imposto e credita-lhe os juros já líquidos, pelo que, na maioria dos casos, nem precisa de os declarar no IRS.
Por isso, ao comparar produtos, olhe sempre para o juro líquido:
Juro líquido = Juro bruto × (1 − 0,28)
Uma taxa de 3% bruta corresponde, na prática, a cerca de 2,16% líquidos. Em Madeira e nos Açores aplicam-se taxas reduzidas, e existe ainda a opção de englobamento no IRS, só compensa se a taxa do seu escalão for inferior a 28%.
TANB e TANL: a taxa anunciada e a que recebe
Nos depósitos a prazo cruzam-se duas siglas que convém distinguir. A TANB (taxa anual nominal bruta) é a taxa anunciada, antes de impostos, é a que aparece em destaque na publicidade. A TANL (taxa anual nominal líquida) é a mesma taxa já depois dos 28% de imposto e reflete o que realmente fica no seu bolso3.
Uma TANB de 3% corresponde a uma TANL de cerca de 2,16%. Ao comparar ofertas de bancos diferentes, certifique-se de que compara a mesma base, bruta com bruta, ou líquida com líquida. Comparar a TANB de um banco com a TANL de outro é um erro fácil de cometer e que distorce por completo a decisão.
O dinheiro de um depósito a prazo está garantido?
O capital de um depósito tradicional está coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100 000 € por titular e por instituição, mesmo que o banco entre em insolvência2. É uma das razões pelas quais o depósito a prazo é visto como uma aplicação de baixo risco. Atenção: o limite é por banco, por isso valores acima de 100 000 € numa única instituição ficam parcialmente desprotegidos.
Exemplo prático
Imagine 10 000 € a uma taxa bruta de 3% durante 12 meses:
- Juros brutos: 10 000 € × 3% × (12 ÷ 12) = 300 €
- Imposto (28%): 300 € × 0,28 = 84 €
- Juros líquidos: 300 € − 84 € = 216 €
- Valor no fim do prazo: 10 216 €
Se o prazo fosse de 6 meses, o juro bruto seria metade (150 €) e o líquido cerca de 108 €. Pode experimentar os seus próprios números no simulador de depósito a prazo e ver logo o valor líquido.
Depósito a prazo e os juros compostos
Num depósito a prazo simples, os juros são pagos no fim e não rendem sobre si próprios durante o prazo. Mas se renovar o depósito e voltar a aplicar capital e juros, entra em capitalização, o efeito dos juros compostos. Em prazos longos, reinvestir os juros faz uma diferença real face a levantá-los a cada vencimento. Para perceber esse efeito, compare com a calculadora de juros compostos ou veja como se comporta o juro simples.
Depósito a prazo ou Certificados de Aforro?
Para quem procura capital garantido, o depósito a prazo concorre diretamente com os Certificados de Aforro, a poupança do Estado. As diferenças essenciais:
- Prazo e flexibilidade: o depósito tem prazos curtos e definidos (6, 12, 24 meses); os certificados vão até 15 anos e podem ser resgatados a partir do terceiro mês.
- Capitalização: num depósito simples os juros são pagos no fim; nos certificados capitalizam trimestralmente, rendendo sobre si próprios.
- Prémio: os certificados acrescentam um prémio de permanência que cresce com os anos, uma vantagem no longo prazo que o depósito não tem.
A regra honesta é a de sempre: compare o valor líquido das duas opções para o mesmo montante e prazo. Faça as contas na calculadora de depósito a prazo e na calculadora de Certificados de Aforro.
A estratégia da escada de depósitos
Um dos dilemas do depósito a prazo é o compromisso entre prazo e liquidez: prazos mais longos costumam render mais, mas prendem o dinheiro durante mais tempo. A escada de depósitos (em inglês, laddering) é uma forma simples de equilibrar os dois.
Em vez de aplicar tudo num único depósito a 24 meses, divide-se o montante por vários depósitos com prazos escalonados, por exemplo, a 6, 12, 18 e 24 meses. Assim há sempre um depósito a vencer no curto prazo (liquidez), enquanto os restantes continuam a render às taxas mais longas. À medida que cada um vence, pode levantá-lo se precisar ou renová-lo pelo prazo mais longo da escada. É uma técnica de quem quer segurança sem abdicar totalmente do acesso ao dinheiro.
Vale a pena fazer um depósito a prazo?
Depende do objetivo e do horizonte:
- A favor: capital garantido, taxa conhecida, dinheiro disponível a curto prazo.
- Contra: a inflação pode corroer o rendimento real. Se um depósito rende 2,16% líquidos e a inflação é 2%, o ganho real é quase nulo.
É uma boa opção para o dinheiro que não quer arriscar e de que pode precisar em breve. Para objetivos de longo prazo, vale a pena comparar com outras aplicações, sempre tendo em conta o risco que está disposto a correr3.
Depósito a prazo, conta-poupança ou conta à ordem?
É fácil confundir três produtos diferentes:
- A conta à ordem é a conta do dia a dia. O dinheiro está sempre disponível, mas geralmente não rende juros (ou rende quase nada).
- A conta-poupança permite depositar e levantar com mais liberdade do que um depósito a prazo, mas costuma oferecer uma taxa mais baixa.
- O depósito a prazo prende o dinheiro durante um período definido em troca de uma taxa mais atrativa e conhecida à partida.
A escolha depende do equilíbrio entre liquidez (acesso ao dinheiro) e rendimento. Para um fundo de emergência que pode precisar a qualquer momento, a flexibilidade pesa mais; para poupança que não vai mexer durante meses, o depósito a prazo tende a render mais.
Erros comuns a evitar
- Comparar taxas brutas entre bancos e esquecer que o imposto de 28% reduz o rendimento.
- Assumir a taxa anual inteira num prazo curto, o juro é proporcional ao tempo.
- Concentrar mais de 100 000 € num único banco, ultrapassando a garantia de depósitos.
- Ignorar as condições de mobilização antecipada e perder juros ao levantar antes do prazo.
Erros comuns
Comparar taxas brutas e esquecer o imposto
Uma taxa de 3% bruta rende, na prática, cerca de 2,16% líquidos após os 28% de imposto. Compare sempre o líquido.
Assumir que um prazo de 6 meses rende a taxa anual inteira
O juro é proporcional ao prazo. A 3% ao ano, 6 meses rendem 1,5% sobre o capital, não 3%.
Perguntas frequentes
Os juros de um depósito a prazo pagam imposto?
O dinheiro de um depósito a prazo está garantido?
Como se calcula o juro de um depósito a menos de um ano?
Vale a pena fazer um depósito a prazo?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Artigo 71.º do Código do IRS, Taxas liberatórias — Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 31/05/2026
- 2.Fundo de Garantia de Depósitos — Fundo de Garantia de Depósitos · consultado a 31/05/2026
- 3.Todos Contam, Portal de educação financeira — Banco de Portugal · consultado a 31/05/2026
Autor / Revisto por
Autor
Thorben Rasmus Idel
Founder & writer
Co-founder of Calculadora Capital. Writes the methodology and verifies the math behind every page.
Revisto por
Nahar Geva
Co-founder & reviewer
Co-founder of Calculadora Capital. Reviews the methodology and verifies the math behind every page.
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