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Calculadora Capital

O que são os Certificados de Aforro e como funciona a Série F?

Os Certificados de Aforro são a poupança do Estado português: capital garantido, juros que capitalizam todos os trimestres e um prémio que cresce quanto mais tempo poupar.

7 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

Os Certificados de Aforro são um produto de poupança do Estado português, de capital garantido, em comercialização na Série F. Rendem uma taxa base mensal (Euribor a 3 meses, no máximo 2,5%) somada de um prémio de permanência que aumenta com os anos. Os juros capitalizam todos os trimestres e pagam 28% de IRS na fonte.

O que são os Certificados de Aforro?

Os Certificados de Aforro são um produto de poupança emitido pelo Estado português, gerido pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP)2. Em termos simples: empresta dinheiro ao Estado e, em troca, recebe juros. O capital está garantido (não está sujeito às oscilações da bolsa) e pode começar com pouco, a partir de 10 € (10 unidades).

São, há décadas, uma das formas de poupança mais populares em Portugal, sobretudo entre quem procura segurança e não quer arriscar o capital. Diferem de um depósito a prazo num ponto importante: os juros capitalizam e existe um prémio que cresce quanto mais tempo mantiver a aplicação.

Como funciona a Série F dos Certificados de Aforro?

Os certificados são emitidos em séries, cada uma com as suas regras. A série atualmente em comercialização é a Série F1. As características essenciais são:

  • Subscrição mínima: 10 unidades (10 €); cada unidade vale 1 €.
  • Prazo máximo: 15 anos.
  • Capitalização: trimestral. Os juros somam-se à poupança ao fim de cada trimestre e passam também a render.
  • Capital garantido pelo Estado.
  • Resgate possível a partir do terceiro mês após a subscrição.

A grande diferença face a uma conta-poupança simples é o efeito de juros sobre juros: ao capitalizarem, os certificados aproximam-se da lógica dos juros compostos, em que o tempo trabalha a favor de quem poupa.

Como é calculada a taxa de juro?

A remuneração da Série F tem duas componentes que se somam1:

Taxa anual bruta = taxa base + prémio de permanência

A taxa base é fixada todos os meses e segue a média da Euribor a 3 meses (E3), arredondada à terceira casa decimal. Tem um limite máximo de 2,5% e mínimo de 0%. Ou seja: quando as taxas de juro do mercado sobem, a taxa base sobe (até ao tecto de 2,5%); quando descem, a taxa base desce. A título de referência, em maio de 2026 a taxa base estava em 2,195%.

É por isto que não existe "a taxa dos Certificados de Aforro" fixa: a taxa do mês em que subscreve vale para o primeiro trimestre, e depois acompanha o mercado trimestre a trimestre. Na nossa calculadora de Certificados de Aforro pode introduzir a taxa base do mês da subscrição e ver uma estimativa, assumindo essa taxa constante ao longo do prazo.

Onde acompanhar a taxa base de cada mês

Como a taxa base muda todos os meses, é útil saber onde a consultar antes de subscrever ou de avaliar uma aplicação existente. O IGCP publica a taxa base em vigor e a ficha técnica completa da Série F no seu site oficial1. A taxa do mês em que subscreve fixa a remuneração do primeiro trimestre; a partir daí, cada trimestre acompanha a Euribor a 3 meses então em vigor.

Na prática, isto significa que não vale a pena tentar "adivinhar" o momento perfeito: o que conta é manter a aplicação tempo suficiente para o prémio de permanência fazer efeito. Na nossa calculadora de Certificados de Aforro pode introduzir a taxa base atual e ver uma estimativa do que renderá ao longo do prazo.

O que é o prémio de permanência?

O prémio de permanência é a segunda componente da taxa, e a verdadeira vantagem do produto para quem poupa a longo prazo. É um valor que se soma à taxa base e que aumenta com os anos que mantém os certificados1:

PeríodoPrémio somado à taxa base
1.º ano0,00%
2.º ao 5.º ano+0,25%
6.º ao 9.º ano+0,50%
10.º e 11.º ano+1,00%
12.º e 13.º ano+1,50%
14.º e 15.º ano+1,75%

Dois pormenores que fazem diferença. Primeiro: o prémio não está sujeito ao limite de 2,5% da taxa base, soma-se depois, pelo que a remuneração total pode ultrapassar esse tecto nos anos finais. Segundo: o prémio recompensa quem fica. Quem resgata cedo abdica dos prémios mais altos. É o oposto de uma penalização por sair: é um bónus por permanecer.

Quanto pagam de imposto os Certificados de Aforro?

Como qualquer aplicação que rende juros, os Certificados de Aforro pagam imposto. Os juros são rendimentos de capitais (Categoria E do IRS) e são tributados a uma taxa liberatória de 28%, retida na fonte3. Na prática, o que capitaliza nos certificados é já o juro líquido de imposto.

Isto tem uma consequência prática: a taxa anunciada é sempre bruta. Para comparar os certificados com outra aplicação, como um depósito a prazo, deve olhar para o valor líquido, depois do IRS. É exatamente esse o valor que a calculadora de Certificados de Aforro destaca como resultado principal.

Exemplo prático

Imagine 10 000 € subscritos com uma taxa base de 2,195% (maio de 2026), mantidos durante 10 anos:

  • No 1.º ano a taxa é de 2,195% (sem prémio).
  • No 10.º ano, a taxa já é de 3,195%, a base de 2,195% mais o prémio de +1,00%.
  • Com capitalização trimestral e os 28% de IRS, termina com cerca de 12 049 € líquidos.
  • Os juros líquidos rondam os 2 049 € ao fim dos 10 anos.

Se a taxa base do mercado for diferente no mês em que subscrever, o resultado muda. Vale a pena testar o seu próprio cenário na calculadora de Certificados de Aforro, que mostra também a evolução ano a ano e o momento em que cada prémio entra.

Certificados de Aforro ou depósito a prazo?

Não há uma resposta única: depende do prazo e das taxas do momento:

  • Os Certificados de Aforro brilham no longo prazo, graças à capitalização trimestral e ao prémio crescente. São ideais para dinheiro que não vai precisar nos próximos anos.
  • Um depósito a prazo tende a ser mais simples e flexível no curto prazo, com uma taxa fixa conhecida à partida e prazos curtos (6, 12, 24 meses).

A forma honesta de decidir é comparar o valor líquido das duas opções para o mesmo montante e prazo. Calcule um cenário na calculadora de depósito a prazo e o equivalente na calculadora de Certificados de Aforro e veja qual deixa mais dinheiro no seu bolso depois do imposto.

Vantagens e desvantagens dos Certificados de Aforro

Como qualquer aplicação, os Certificados de Aforro têm pontos fortes e limitações. Vale a pena pesá-los antes de decidir.

A favor:

  • Capital garantido pelo Estado, um dos níveis de segurança mais altos ao alcance de um aforrador.
  • Capitalização trimestral e prémio crescente, que recompensam quem poupa a longo prazo.
  • Acessíveis: começam em 10 € e podem ser subscritos online no AforroNet.
  • Sem comissões de subscrição ou de manutenção.

Contra:

  • A taxa base varia todos os meses com a Euribor e está limitada a 2,5%, em períodos de juros baixos, a remuneração pode ser modesta.
  • Os prémios mais altos só chegam ao fim de vários anos: resgatar cedo desperdiça a maior vantagem do produto.
  • Como qualquer poupança de baixo risco, podem render abaixo da inflação em alguns anos, corroendo o poder de compra real.
  • O limite máximo por titular restringe quem queira aplicar montantes muito elevados.

No balanço, são uma boa base para a parte segura e de longo prazo de uma poupança, desde que o dinheiro possa, de facto, ficar parado vários anos.

Como subscrever e resgatar

A subscrição faz-se nos CTT, no portal AforroNet do IGCP ou na app, com um número de aforrador associado ao seu NIF2. O resgate é possível a partir do terceiro mês e o capital, sendo do Estado, está sempre garantido. Lembre-se apenas de que sair cedo significa deixar para trás os prémios dos anos seguintes, a paciência é, neste produto, literalmente remunerada.

Erros comuns

  • Pensar que a taxa anunciada se mantém 15 anos

    A taxa base muda todos os meses com a Euribor. A taxa do dia da subscrição vale para o primeiro trimestre; depois acompanha o mercado. O que está fixado é a regra, não o valor.

  • Esquecer o imposto de 28% ao comparar com outras aplicações

    A taxa anunciada é bruta. O que importa para a sua poupança é o valor líquido, já depois do IRS, é esse que deve comparar com um depósito a prazo ou outra aplicação.

  • Resgatar nos primeiros anos e perder o prémio

    O prémio de permanência só compensa quem fica. Resgatar cedo significa abdicar dos prémios mais altos dos anos seguintes, que são a maior vantagem do produto.

Perguntas frequentes

Qual é a taxa dos Certificados de Aforro hoje?
A taxa base é atualizada todos os meses e segue a média da Euribor a 3 meses, com um limite máximo de 2,5%. Em maio de 2026 era de 2,195%. A esta taxa soma-se o prémio de permanência conforme os anos de detenção.
Os Certificados de Aforro pagam imposto?
Sim. Os juros são rendimentos de capitais e são tributados a 28% (taxa liberatória), retidos na fonte. O que capitaliza nos certificados é já o juro líquido de imposto.
O que é o prémio de permanência?
É um acréscimo à taxa base que aumenta com o tempo: +0,25% do 2.º ao 5.º ano, +0,50% do 6.º ao 9.º, +1,00% no 10.º e 11.º, +1,50% no 12.º e 13.º e +1,75% no 14.º e 15.º. Não está sujeito ao limite de 2,5% da taxa base.
Certificados de Aforro ou depósito a prazo, o que rende mais?
Depende das taxas do momento e do prazo. Os certificados têm capitalização trimestral e prémio crescente, o que favorece o longo prazo; o depósito a prazo costuma ser mais simples e flexível no curto prazo. Compare sempre o valor líquido nas duas calculadoras.
Quanto posso investir em Certificados de Aforro?
A subscrição mínima é de 10 unidades (10 €) e há um limite máximo por titular definido pelo IGCP. O capital é sempre garantido pelo Estado.

Fontes

  1. 1.Ficha Técnica dos Certificados de Aforro Série FAgência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) · consultado a 31/05/2026
  2. 2.Certificados de Aforro, produto de aforro do EstadoAgência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) · consultado a 31/05/2026
  3. 3.Artigo 71.º do Código do IRS, Taxas liberatóriasAutoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 31/05/2026

Autor / Revisto por

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Thorben Rasmus Idel

Founder & writer

Co-founder of Calculadora Capital. Writes the methodology and verifies the math behind every page.

Revisto por

Nahar Geva

Co-founder & reviewer

Co-founder of Calculadora Capital. Reviews the methodology and verifies the math behind every page.

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