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Trabalho em feriado: direitos e pagamento

Quem trabalha num feriado numa empresa que não é obrigada a fechar tem direito a um acréscimo de 50% sobre essas horas ou a descanso compensatório de metade das horas trabalhadas, à escolha do empregador. Veja o que diz o Código do Trabalho, quanto recebe e o que muda quando a empresa é obrigada a encerrar.

4 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

O feriado é um dia de descanso pago: o trabalhador tem direito à retribuição do feriado sem o compensar com mais trabalho (artigo 269.º, n.º 1 do Código do Trabalho). Quem presta trabalho normal num feriado numa empresa não obrigada a suspender o funcionamento tem direito, à escolha do empregador, a um acréscimo de 50% da retribuição dessas horas ou a descanso compensatório de metade das horas trabalhadas (n.º 2). Com 1000 € por mês e 40 horas semanais, um feriado de 8 horas rende 23,08 € a mais, ou 4 horas de descanso pago. Se a empresa é obrigada a encerrar no feriado, o trabalho prestado é suplementar e paga os acréscimos das horas extras (50%, ou 100% acima de 100 horas anuais). Portugal tem 13 feriados obrigatórios; o Carnaval e o feriado municipal são facultativos.

O feriado é um dia de descanso pago

O ponto de partida do regime está no artigo 269.º, n.º 1 do Código do Trabalho1: o trabalhador tem direito à retribuição correspondente ao feriado, sem que o empregador a possa compensar com trabalho suplementar. Na prática:

  • quem tem salário mensal não perde nada: o feriado já está pago dentro do salário;
  • quem recebe à hora ou ao dia também não pode perder retribuição por causa do feriado.

Trabalhar num feriado: os dois direitos alternativos

Se presta trabalho normal num feriado numa empresa não obrigada a suspender o funcionamento nesse dia (restauração, hotelaria, saúde, comércio autorizado, laboração contínua), a lei dá-lhe um direito adicional, à escolha do empregador (artigo 269.º, n.º 2)1:

  • acréscimo de 50% da retribuição correspondente às horas trabalhadas; ou
  • descanso compensatório com duração de metade do número de horas prestadas.

A escolha é do empregador, não do trabalhador. A convenção coletiva do setor pode fixar condições mais favoráveis, por exemplo um acréscimo de 100% ou a escolha pelo trabalhador.

Quanto recebe: a conta por salário

O acréscimo aplica-se ao valor/hora oficial do artigo 271.º4: (salário mensal × 12) ÷ (52 × horas semanais). Para um feriado de 8 horas com 40 horas semanais:

Salário brutoValor/horaAcréscimo de 50% (8 h)Ou descanso
920 €5,31 €21,23 €4 h
1000 €5,77 €23,08 €4 h
1500 €8,65 €34,62 €4 h
2000 €11,54 €46,15 €4 h
3000 €17,31 €69,23 €4 h

Como o feriado já está pago dentro do salário mensal, o acréscimo é o dinheiro extra que aparece no recibo. Faça a conta ao seu caso na calculadora de trabalho em feriado.

Empresa obrigada a encerrar: é trabalho suplementar

A regra dos 50% vale para empresas que podem funcionar no feriado. Se a empresa é obrigada a suspender a atividade nesse dia e o trabalhador ainda assim trabalha, esse trabalho é suplementar (horas extras), com os acréscimos do artigo 268.º3: 50% por cada hora em dia feriado, que sobe para 100% depois de o trabalhador ter prestado 100 horas suplementares no ano. O mesmo vale para as horas para além do horário normal num feriado em qualquer empresa. Para esse cenário, use a calculadora de horas extras.

Quais são os feriados obrigatórios

Portugal tem 13 feriados obrigatórios (artigo 234.º)2: 1 de janeiro, Sexta-Feira Santa, Domingo de Páscoa, 25 de abril, 1 de maio, Corpo de Deus, 10 de junho, 15 de agosto, 5 de outubro, 1 de novembro, 1 de dezembro, 8 de dezembro e 25 de dezembro.

A terça-feira de Carnaval e o feriado municipal da localidade são facultativos (artigo 235.º): só valem como feriado se a empresa os observar, por convenção coletiva ou pela prática da empresa. Nesses dias observados aplicam-se as mesmas regras do feriado obrigatório.

Trabalhar de noite num feriado

Os regimes acumulam-se: as horas prestadas no período noturno de um feriado somam o acréscimo noturno de 25% (artigo 266.º) ao regime do feriado. Um turno da noite de 24 para 25 de dezembro pode assim juntar o acréscimo do feriado e o acréscimo noturno.

O acréscimo desconta para o IRS e a Segurança Social?

Sim. O acréscimo de feriado é retribuição normal do trabalho (categoria A): tem retenção de IRS segundo as tabelas e desconta 11% para a Segurança Social, como o resto do salário. Não beneficia da retenção reduzida das horas extraordinárias, que é específica do trabalho suplementar. Os valores deste artigo são brutos; para ver o efeito no líquido, use a calculadora de salário líquido.

Um exemplo do início ao fim

Imagine um salário de 1000 €, 40 horas semanais, e 8 horas trabalhadas no 1 de maio num restaurante (empresa não obrigada a encerrar):

  • Valor/hora: (1000 × 12) ÷ (52 × 40) = 5,77 €.
  • Acréscimo de 50%: 2,88 € por hora × 8 h = 23,08 € a mais no recibo desse mês.
  • Alternativa, se o empregador preferir: 4 horas de descanso compensatório pago.
  • O feriado em si já estava pago dentro dos 1000 €.

Faça a conta para o seu caso na calculadora de trabalho em feriado.

Erros comuns

  • Achar que a hora do feriado paga sempre o dobro

    A regra geral do Código do Trabalho é um acréscimo de 50% sobre a retribuição das horas trabalhadas (ou metade das horas em descanso). Só uma convenção coletiva pode fixar mais, por exemplo 100%.

  • Pensar que o trabalhador escolhe entre dinheiro e descanso

    A lei atribui a escolha ao empregador (artigo 269.º, n.º 2). O contrato ou a convenção coletiva podem dar regras mais favoráveis, mas, sem elas, quem decide é a empresa.

  • Confundir o trabalho em feriado com horas extras

    Numa empresa que pode funcionar no feriado, as horas do horário normal trabalhadas nesse dia não são trabalho suplementar: seguem o regime próprio do artigo 269.º. Só numa empresa obrigada a encerrar (ou para além do horário) é que o trabalho no feriado é suplementar.

Perguntas frequentes

Quem trabalha em feriado recebe quanto?
Numa empresa não obrigada a suspender o funcionamento, o trabalho normal em dia feriado dá direito a um acréscimo de 50% da retribuição das horas trabalhadas ou a descanso compensatório de metade das horas, à escolha do empregador. Com um valor/hora de 5,77 €, um feriado de 8 horas rende 23,08 € a mais, ou 4 horas de descanso pago.
É obrigatório trabalhar num feriado?
Depende da atividade. Nas empresas dispensadas de suspender o funcionamento (restauração, saúde, hotelaria, laboração contínua, entre outras), o trabalho no feriado pode fazer parte do horário normal. Nas restantes, o feriado é dia de descanso obrigatório.
Quais são os feriados obrigatórios em Portugal?
São 13 (artigo 234.º do Código do Trabalho): 1 de janeiro, Sexta-Feira Santa, Domingo de Páscoa, 25 de abril, 1 de maio, Corpo de Deus, 10 de junho, 15 de agosto, 5 de outubro, 1 de novembro, 1 de dezembro, 8 de dezembro e 25 de dezembro.
O trabalhador pode escolher entre o pagamento e o descanso?
Não. A escolha entre o acréscimo de 50% e o descanso compensatório de metade das horas cabe ao empregador (artigo 269.º, n.º 2). Uma convenção coletiva ou o contrato podem estabelecer regras mais favoráveis ao trabalhador.
Trabalhar no feriado conta como horas extras?
Só em dois casos: quando a empresa é obrigada a suspender o funcionamento no feriado (todo o trabalho prestado é suplementar) ou quando o trabalho ultrapassa o horário normal. Nesses casos aplicam-se os acréscimos do trabalho suplementar: 50% por hora em feriado, que passa a 100% depois de 100 horas suplementares no ano.
Calcule o seu caso concreto na calculadora de trabalho em feriado, com o seu salário e as horas do dia.

Fontes

  1. 1.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 269.º (prestação de trabalho em dia feriado) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  2. 2.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), arts. 234.º e 235.º (feriados obrigatórios e facultativos) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  3. 3.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 268.º (pagamento de trabalho suplementar) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  4. 4.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 271.º (valor da retribuição horária) · Diário da República · consultado a 10/07/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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