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Calculadora Capital

Segurança Social da empregada doméstica: como funciona e quanto se paga

Quem emprega uma empregada ou empregado doméstico, ainda que só por umas horas por semana, é obrigado a inscrever o trabalhador na Segurança Social e a pagar contribuições todos os meses. Os descontos não se calculam como num emprego normal: por regra usam valores convencionais indexados ao IAS (3,10 € por hora em 2026), com taxa de 28,3%, e só por acordo passam a incidir sobre o salário real, com taxa de 33,3% e direito a subsídio de desemprego. Este guia explica os regimes, os valores de 2026 e os passos práticos.

6 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

O serviço doméstico tem um regime próprio na Segurança Social. Por regra, os descontos calculam-se sobre valores convencionais indexados ao IAS: 3,10 € por hora, 17,90 € por dia ou 537,13 € por mês num contrato mensal a tempo completo em 2026, sempre com a taxa de 28,3% (18,9% do empregador + 9,4% do trabalhador) e um mínimo de 30 horas declaradas por mês. Por acordo escrito, num contrato mensal a tempo completo, os descontos podem passar a incidir sobre o salário real (mínimo 920 €): a taxa sobe para 33,3% (22,3% + 11%), mas o trabalhador ganha proteção no desemprego e melhores prestações futuras. Quem entrega o dinheiro é sempre a entidade empregadora, de 10 a 20 do mês seguinte, descontando a parte do trabalhador no salário.

Um regime próprio, obrigatório desde a primeira hora

O trabalho doméstico regular, cozinhar, limpar, passar a ferro, cuidar de crianças ou de pessoas idosas em casa de uma família, tem um regime contributivo próprio na Segurança Social, definido nos artigos 115.º a 127.º do Código dos Regimes Contributivos1. A entidade empregadora (a família) é obrigada a inscrever o trabalhador e a comunicar o vínculo no portal da Segurança Social antes de o trabalho começar, ainda que sejam só umas horas por semana3.

Trabalho doméstico sem descontos é trabalho não declarado: sujeita o empregador a coimas e deixa quem trabalha sem qualquer proteção social, sem baixa por doença, sem licença parental paga e sem contar tempo para a reforma. Estime os valores do seu caso na calculadora de Segurança Social da empregada doméstica.

Como se calculam os descontos: os três valores de 2026

Ao contrário de um emprego normal, no serviço doméstico os descontos não incidem, por regra, sobre o salário real. Calculam-se sobre uma remuneração convencional indexada ao Indexante dos Apoios Sociais (IAS, 537,13 € em 20264):

Forma de pagamentoBase de incidência em 2026Como se chega lá
À hora3,10 € por horaIAS × 12 ÷ (52 × 40)
Ao dia17,90 € por diaIAS ÷ 30
Ao mês (tempo completo)537,13 € por mês1 × IAS

O valor por hora de 3,10 € é o publicado pelo próprio Instituto da Segurança Social para 20262. Repare: estes valores servem apenas para calcular as contribuições. O salário que paga à trabalhadora é outro assunto, acordado entre as partes, e não pode ficar abaixo do salário mínimo proporcional às horas.

A taxa de 28,3%: quem paga o quê

Sobre a base convencional aplica-se a taxa global de 28,3%: 18,9% a cargo da entidade empregadora e 9,4% a cargo do trabalhador1. Na prática, a entidade empregadora entrega o total à Segurança Social e desconta os 9,4% no salário que paga.

Um exemplo com os números oficiais do ISS2: 40 horas num mês dão uma base de 40 × 3,10 € = 124,00 €. O empregador paga 23,44 €, a trabalhadora desconta 11,66 € e o total entregue é 35,09 €. Cada parcela é arredondada ao cêntimo sobre a base, tal como na tabela oficial, por isso a soma das partes pode diferir do total num cêntimo.

No trabalho pago à hora há uma regra que surpreende muitos empregadores: nunca se podem declarar menos de 30 horas por mês a cada entidade empregadora, mesmo que o trabalho desse mês tenha sido menor (artigo 119.º n.º 5 do Código)1. Em 2026, isso significa uma base mínima de 93,00 € e uma contribuição mínima de 26,32 € por mês (17,58 € + 8,74 €).

Quem trabalha em várias casas tem esse mínimo em cada casa: quatro horas por semana em três famílias diferentes são três declarações de 30 horas, não uma de 48. Não há limite máximo: declaram-se as horas efetivamente trabalhadas quando passam de 30.

A opção pelo salário real: mais cara, mas com desemprego

Num contrato mensal a tempo completo, o trabalhador e a entidade empregadora podem acordar por escrito que os descontos passem a incidir sobre o salário efetivamente pago, no mínimo o salário mínimo nacional de 920 € em 20265. Três condições têm de estar cumpridas1:

  • um acordo escrito ou contrato de trabalho que fixe o salário;
  • um atestado médico de capacidade para o trabalho;
  • o trabalhador ter idade inferior a 64 anos em 2026 (o limite do anexo I do Código, que sobe meio ano por ano até aos 65 em 2028).

Os documentos entregam-se à Segurança Social e os descontos sobre o salário real começam no mês seguinte3. A taxa sobe para 33,3% (22,3% do empregador + 11% do trabalhador), mas há duas contrapartidas importantes:

  1. Proteção no desemprego: só neste regime o trabalhador doméstico tem direito a subsídio de desemprego (artigo 118.º n.º 2).
  2. Prestações melhores: a baixa por doença, a licença parental e a pensão futura passam a ser calculadas sobre o salário verdadeiro, e não sobre o IAS.

Num salário de 1 000 €, a contribuição mensal passa de 152,01 € (regime convencional) para 333,00 €. É mais do dobro, mas é a diferença entre uma carreira contributiva calculada sobre 537,13 € e uma calculada sobre 1 000 €, com desemprego incluído.

Subsídios de férias e de Natal: dois regimes, duas regras

A empregada doméstica tem direito a 22 dias úteis de férias, a subsídio de férias e a subsídio de Natal, como qualquer trabalhador por conta de outrem3. Para a Segurança Social, a regra depende do regime1:

  • Regime convencional (à hora, ao dia ou pelo IAS): os subsídios de férias e de Natal não pagam contribuições, porque estão fora das bases convencionais (artigo 48.º).
  • Regime do salário real: os subsídios pagam contribuições à taxa de 33,3% no mês em que são pagos, tal como o salário.

Como e quando se paga

A entidade empregadora paga as contribuições entre os dias 10 e 20 do mês seguinte àquele a que dizem respeito2. Há várias formas: no multibanco (Pagamentos à Segurança Social, opção Trabalhadores Serviço Doméstico, com o NISS do trabalhador), na Segurança Social Direta, por MBWay ou por débito direto. O sistema calcula o valor a partir do vínculo comunicado; a calculadora serve para saber de antemão quanto vai pagar e como se reparte.

O que este regime não cobre

Dois custos ficam fora das contribuições e são frequentemente esquecidos:

  • o seguro de acidentes de trabalho, obrigatório para todo o serviço doméstico e contratado à parte numa seguradora;
  • a eventual retenção de IRS sobre o salário, que segue as regras gerais da categoria A.

O regime do serviço doméstico também não se confunde com o dos trabalhadores independentes: uma pessoa que limpa casas como atividade independente com recibos passa contribuições pelo regime dos independentes, não pelo do serviço doméstico. E o regime geral dos restantes trabalhadores por conta de outrem tem a sua própria calculadora, a da Taxa Social Única.

Erros comuns

  • Pensar que umas horas por semana não obrigam a descontos

    Obrigam. Qualquer trabalho doméstico regular, ainda que de poucas horas, exige a inscrição do trabalhador e o pagamento de contribuições, com um mínimo legal de 30 horas declaradas por mês a cada entidade empregadora.

  • Confundir o valor por hora da Segurança Social com o salário por hora

    Os 3,10 € por hora de 2026 não são o que se paga à trabalhadora: são apenas a remuneração convencional sobre a qual se calculam os descontos. O salário é acordado entre as partes e não pode ficar abaixo do salário mínimo proporcional.

  • Assumir que a empregada doméstica tem sempre direito a subsídio de desemprego

    Não tem. Nos regimes convencionais (à hora, ao dia ou pelo IAS) não há proteção no desemprego. Só a opção pelo salário real, num contrato mensal a tempo completo, dá acesso ao subsídio de desemprego.

  • Esquecer que a parte do trabalhador se desconta no salário

    A entidade empregadora entrega o total (28,3% ou 33,3%) à Segurança Social, mas 9,4% (ou 11% no salário real) são da conta do trabalhador e descontam-se no salário pago. Pagar tudo sem descontar é uma opção do empregador, não uma exigência da lei.

  • Aplicar as regras da TSU normal ao serviço doméstico

    A TSU de 34,75% (11% + 23,75%) é o regime geral dos trabalhadores por conta de outrem. O serviço doméstico tem taxas e bases próprias: 28,3% sobre bases convencionais ou 33,3% sobre o salário real.

Perguntas frequentes

Quanto desconta uma empregada doméstica para a Segurança Social em 2026?
No regime convencional à hora, cada hora vale 3,10 € de base: 40 horas num mês dão 124,00 € de base e 35,09 € de contribuição (23,44 € do empregador + 11,66 € da trabalhadora). Num contrato mensal a tempo completo, a base convencional é 537,13 € e a contribuição total é 152,01 €. Com acordo de salário real, paga-se 33,3% sobre o salário verdadeiro.
Qual é o valor por hora da Segurança Social do serviço doméstico em 2026?
É 3,10 €: a remuneração horária convencional, calculada pela fórmula IAS × 12 ÷ (52 × 40) com o IAS de 537,13 €. Serve apenas para calcular os descontos; não é o salário mínimo por hora.
A empregada doméstica tem direito a subsídio de desemprego?
Só se os descontos incidirem sobre o salário real num contrato de trabalho mensal a tempo completo. Nos regimes convencionais há proteção na doença, parentalidade, doenças profissionais, invalidez, velhice e morte, mas não no desemprego.
Quem paga a Segurança Social da empregada doméstica?
Os dois, mas quem entrega o dinheiro é a entidade empregadora: paga a sua parte (18,9% ou 22,3%), desconta a parte do trabalhador (9,4% ou 11%) no salário e entrega o total à Segurança Social entre os dias 10 e 20 do mês seguinte.
O que é preciso para a empregada doméstica descontar sobre o salário real?
Um acordo escrito (ou contrato de trabalho) num vínculo mensal a tempo completo com salário de pelo menos 920 €, um atestado médico de capacidade para o trabalho e idade inferior a 64 anos em 2026. Os descontos mudam no mês seguinte à entrega dos documentos.
Os subsídios de férias e de Natal da empregada doméstica pagam Segurança Social?
No regime convencional não pagam. No regime do salário real pagam contribuições à taxa de 33,3% no mês em que são pagos, tal como o salário.
Estime a contribuição mensal do seu caso na calculadora de Segurança Social da empregada doméstica.

Fontes

  1. 1.Lei n.º 110/2009, Código dos Regimes Contributivos, arts. 115.º a 127.º (serviço doméstico: bases de incidência e taxas) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
  2. 2.Guia Prático: Pagamento de Contribuições à Segurança Social (valor por hora do serviço doméstico em 2026 e tabela oficial) · Segurança Social (ISS, I.P.) · consultado a 11/07/2026
  3. 3.Guia Prático: Inscrição, Alteração e Cessação do Serviço Doméstico · Segurança Social (ISS, I.P.) · consultado a 11/07/2026
  4. 4.Portaria n.º 480-A/2025/1, de 30 de dezembro: valor do IAS para 2026 (537,13 €) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
  5. 5.Decreto-Lei n.º 139/2025: retribuição mínima mensal garantida de 920 € para 2026 · Diário da República · consultado a 11/07/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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