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O que é a consolidação de créditos e quando compensa?

Consolidar créditos é juntar vários empréstimos numa só prestação. Veja como funciona, como se calcula a nova prestação e porque uma prestação mais baixa nem sempre sai mais barata.

4 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

A consolidação de créditos junta vários empréstimos (crédito pessoal, cartão de crédito, crédito automóvel) num único crédito novo, com uma só prestação mensal. O capital do novo crédito é a soma dos saldos em dívida e a prestação calcula-se pelo sistema francês a partir da taxa (TAN) e do prazo. Consolidar quase sempre baixa a prestação, mas costuma alargar o prazo, e mais tempo a pagar significa mais juros no total. Compare sempre pela TAEG e pelo custo total do crédito, não só pela prestação.

O que é a consolidação de créditos?

A consolidação de créditos (ou «juntar créditos») é substituir vários empréstimos (um crédito pessoal, o cartão de crédito, um crédito automóvel) por um único crédito novo, com uma só prestação mensal1. O banco liquida as dívidas antigas e fica a financiar a soma dos saldos que tinha em dívida.

O objetivo habitual é baixar a prestação total e simplificar as contas: em vez de várias prestações em datas e bancos diferentes, passa a ter uma só. Para isso, em regra alarga-se o prazo, e é aí que está o reverso, como veremos.

Como se calcula a nova prestação

O capital do novo crédito é a soma dos saldos em dívida dos créditos que junta. A prestação é constante e segue o sistema francês: em cada mês, parte da prestação paga os juros sobre o capital ainda em dívida e a outra parte amortiza capital. A fórmula é:

prestação = capital × i / (1 − (1 + i)^−n)

em que i é a taxa mensal (a TAN dividida por 12) e n é o número de meses do novo prazo. A poupança mensal é a soma das prestações atuais menos a nova prestação. É a mesma matemática da calculadora de crédito pessoal: consolidar é, no fundo, contratar um crédito pessoal pelo total que ainda deve.

O reverso: prazo mais longo, mais juros

Baixar a prestação quase sempre significa alargar o prazo, e mais tempo a pagar quer dizer mais juros no total. Uma prestação mais baixa hoje pode, ao fim de vários anos, custar mais do que pagaria se mantivesse os créditos atuais. Por isso, ao decidir, olhe para dois números, não apenas um:

  • a prestação mensal (o alívio imediato no orçamento), e
  • o custo total do crédito (os juros mais as comissões ao longo de todo o prazo).

Compare sempre as propostas pela TAEG (taxa anual de encargos efetiva global), que junta os juros e todos os encargos e mede o custo real do crédito, nunca apenas pela TAN ou pela prestação. Para perceber em detalhe o que a TAEG inclui, veja o que é a TAEG.

Quanto fica? (exemplo prático)

Imagine três créditos:

  • um cartão de crédito com 3 000 € em dívida e 150 €/mês,
  • um crédito pessoal com 8 000 € e 250 €/mês,
  • um crédito automóvel com 5 000 € e 180 €/mês.

Ao todo são 16 000 € em dívida e 580 €/mês. Consolidando os 16 000 € num novo crédito a 72 meses (6 anos) com uma TAN de 8,5 %:

  • A nova prestação é de cerca de 284,45 €/mês, uma poupança de cerca de 295,55 € por mês.
  • A TAEG seria de 8,84 % (a TAN capitalizada mensalmente).
  • Ao longo dos 6 anos pagaria perto de 20 481 €, dos quais cerca de 4 481 € são juros.

A prestação desce muito, mas repare que o prazo alargado o deixa a pagar juros durante mais tempo. Faça a conta com os seus valores na calculadora de consolidação de créditos, que mostra a nova prestação, a poupança mensal, a TAEG e o custo total.

O que ver antes de consolidar

Antes de avançar, tenha presente que:

  • Fechar cada crédito antigo pode ter uma comissão de reembolso antecipado, em regra 0,5 % ou 0,25 % do capital em dívida, consoante o prazo que falta2. Some esse custo.
  • O novo crédito pode ter comissão de abertura, seguros e imposto do selo, que entram na TAEG real que o banco apresenta na ficha de informação normalizada (FINE).
  • O Banco de Portugal publica, a cada trimestre, as taxas máximas (TAEG) de cada tipo de crédito ao consumo1. Uma proposta acima desse limite é ilegal.

Consolidar é uma ferramenta útil quando a prestação total aperta o orçamento e o objetivo é ganhar folga mensal, ou quando consegue uma taxa mais baixa do que a média dos créditos atuais. Antes de decidir, veja se a prestação cabe com folga no seu orçamento e compare sempre pela TAEG e pelo custo total, não só pelo valor da prestação.

Erros comuns

  • Olhar só para a prestação

    Uma prestação mais baixa parece sempre melhor, mas pode esconder mais anos a pagar e mais juros no total. Veja o custo total do novo crédito, não só o valor mensal.

  • Ignorar o custo de liquidar os créditos antigos

    Fechar cada crédito antes do fim pode ter uma comissão de reembolso antecipado (em regra 0,5 % ou 0,25 % do capital). Some esse custo antes de decidir se a consolidação compensa.

  • Comparar propostas pela TAN

    A TAN não inclui comissões nem o imposto do selo. Compare sempre a TAEG, que reflete o custo real do crédito consolidado.

Perguntas frequentes

O que é a consolidação de créditos?
É juntar vários créditos (crédito pessoal, cartão de crédito, crédito automóvel) num único crédito novo, com uma só prestação mensal. O banco liquida as dívidas antigas e financia a soma dos saldos em dívida, em regra num prazo mais longo, o que baixa a prestação total.
Como se calcula a nova prestação ao consolidar créditos?
O capital do novo crédito é a soma dos saldos em dívida. A prestação calcula-se pela fórmula da amortização (sistema francês): prestação = capital × i / (1 − (1 + i)^−n), em que i é a taxa mensal (a TAN ÷ 12) e n é o número de meses. A poupança mensal é a soma das prestações atuais menos a nova prestação.
Consolidar créditos fica mais barato?
Baixa quase sempre a prestação mensal, mas nem sempre o custo total. Como a consolidação costuma alargar o prazo, paga juros durante mais tempo e pode pagar mais no total, mesmo com uma taxa mais baixa. Veja sempre o custo total do crédito e compare pela TAEG.
Há custos para juntar os créditos?
Sim. Fechar cada crédito antigo pode ter uma comissão de reembolso antecipado (em regra 0,5 % ou 0,25 % do capital em dívida, conforme o prazo que falta), e o novo crédito pode ter comissão de abertura, seguros e imposto do selo. Estes encargos entram na TAEG real do banco e devem ser somados antes de decidir.
Quando é que a consolidação compensa?
Costuma compensar quando a prestação total atual aperta o orçamento e o objetivo é ganhar folga mensal, ou quando consegue uma taxa mais baixa do que a média dos créditos atuais. Não compensa se o único efeito for esticar muito o prazo e pagar bastante mais juros. Faça as contas com os seus números na calculadora de consolidação de créditos.

Fontes

  1. 1.Crédito aos consumidores: TAN, TAEG e comissões · Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário · consultado a 27/06/2026
  2. 2.Decreto-Lei n.º 133/2009, regime do crédito aos consumidores · Diário da República · consultado a 27/06/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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