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Calculadora Capital

Isenção de horário de trabalho: como funciona e quanto paga

A isenção de horário de trabalho dispensa o trabalhador do horário normal, mas não é gratuita nem ilimitada: exige acordo escrito, mantém os descansos e dá direito a uma retribuição especial que, sem convenção coletiva, não pode ser inferior a uma hora de trabalho suplementar por dia, ou duas por semana. Veja quem pode ter, as três modalidades, as contas e o que acontece a férias, Natal e impostos.

5 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

A isenção de horário de trabalho (IHT) é acordada por escrito (artigo 218.º do Código do Trabalho) e tem três modalidades (artigo 219.º): sem sujeição aos limites máximos do horário, com alargamento do período normal, ou com observância do período normal. Sem estipulação, vale a primeira. A retribuição especial, na falta de convenção coletiva, não pode ser inferior a uma hora de trabalho suplementar por dia (modalidades sem limites ou com alargamento) ou a duas horas por semana (horário normal mantido). Uma hora suplementar vale o valor/hora mais 25%: com 1000 € e 40 horas semanais são 7,21 € por dia, cerca de 158,65 € por mês em 22 dias, ou 62,50 € na modalidade semanal. O subsídio conta para o subsídio de férias mas não para o de Natal, paga IRS e Segurança Social como o salário e pode ser retirado quando a isenção cessa.

O que é a isenção de horário de trabalho

A isenção de horário de trabalho (IHT) é o regime em que o trabalhador deixa de estar sujeito ao horário de trabalho. Não é uma decisão unilateral da empresa nem um estatuto automático de quem tem um cargo: exige acordo escrito entre trabalhador e empregador, e só é possível nas situações previstas no artigo 218.º do Código do Trabalho2:

  • cargos de administração ou direção e funções de confiança, fiscalização ou apoio a esses cargos;
  • trabalhos preparatórios ou complementares que, pela sua natureza, só possam ser feitos fora dos limites do horário;
  • teletrabalho e outros casos de atividade regular fora da empresa, sem controlo imediato da hierarquia.

A convenção coletiva do setor pode alargar esta lista a outras situações.

As três modalidades

O acordo escolhe uma de três modalidades (artigo 219.º)2:

  1. Sem sujeição aos limites máximos do período normal de trabalho, a isenção total, que é a que vale na falta de estipulação;
  2. Alargamento do período normal até um certo número de horas, por dia ou por semana;
  3. Observância do período normal acordado: o horário mantém-se, o que muda é a gestão do tempo.

A modalidade importa porque determina o subsídio mínimo e o tratamento das horas a mais. E há um limite que nenhuma modalidade toca: o trabalhador isento mantém o direito ao descanso semanal, aos feriados e ao descanso diário (artigo 219.º, n.º 3).

Quanto paga: o mínimo do artigo 265.º

Na falta de valor fixado em convenção coletiva, a retribuição especial não pode ser inferior (artigo 265.º)1 à correspondente a:

  • uma hora de trabalho suplementar por dia, nas modalidades sem limites ou com alargamento;
  • duas horas de trabalho suplementar por semana, na modalidade com observância do período normal.

Uma hora suplementar vale o valor/hora oficial do artigo 271.º acrescido de 25%, o acréscimo da primeira hora em dia útil (artigo 268.º)3. A lei fixa o mínimo ao dia; a conversão ao mês usa por convenção os dias de trabalho (habitualmente 22). Para um horário de 40 horas semanais:

Salário brutoHora suplementarMínimo mensal (1 h/dia, 22 dias)Mínimo mensal (2 h/semana)
920 €6,63 €145,96 €57,50 €
1000 €7,21 €158,65 €62,50 €
1500 €10,82 €237,98 €93,75 €
2000 €14,42 €317,31 €125,00 €
3000 €21,63 €475,96 €187,50 €

Estes são mínimos: a convenção coletiva pode fixar valores mais altos, e há leituras que pagam a segunda hora semanal com o acréscimo de 37,5% das horas seguintes. Faça a conta ao seu caso na calculadora de isenção de horário.

Isento de horário ainda recebe horas extras?

Depende da modalidade:

  • na isenção sem sujeição aos limites, o trabalho a mais em dia normal não é trabalho suplementar: está compensado pelo subsídio de IHT;
  • o trabalho em dia de descanso semanal ou feriado continua a ser suplementar, com os acréscimos das horas extras;
  • na modalidade com observância do período normal, tudo o que exceder o horário é trabalho suplementar normal.

O trabalho noturno também não desaparece: as horas no período noturno pagam o acréscimo próprio de 25%, seja qual for a modalidade de isenção.

Férias, Natal e o fim da isenção

O subsídio de IHT conta por inteiro para o subsídio de férias, que acompanha a retribuição do modo específico de trabalhar (artigo 264.º)4. Já o subsídio de Natal é só retribuição base e diuturnidades (artigo 263.º), por isso não o inclui.

O subsídio também não é vitalício: os tribunais têm entendido que compensa um modo específico de trabalhar e só é devido enquanto ele durar5. Quando a isenção cessa, o empregador pode deixar de o pagar sem violar a irredutibilidade da retribuição. E quem exerce cargo de administração ou direção pode renunciar ao subsídio (artigo 265.º, n.º 2).

IRS e Segurança Social

O subsídio de isenção de horário é retribuição normal do trabalho (categoria A): tem retenção de IRS segundo as tabelas e desconta 11% para a Segurança Social, como o resto do salário. Não beneficia da retenção reduzida das horas extraordinárias, que é específica do trabalho suplementar efetivamente prestado. Para ver o efeito no líquido, use a calculadora de salário líquido.

Um exemplo do início ao fim

Imagine um salário de 1000 €, 40 horas semanais e um acordo de isenção total de horário:

  • Valor/hora: (1000 × 12) ÷ (52 × 40) = 5,77 €; hora suplementar: 5,77 × 1,25 = 7,21 €.
  • Mínimo legal: uma hora suplementar por dia → 7,21 € × 22 dias = 158,65 € por mês, cerca de 15,9% do salário.
  • Se o acordo mantivesse o horário normal, o mínimo seria 2 × 7,21 € por semana → 62,50 € por mês.
  • O subsídio entra no subsídio de férias, fica fora do subsídio de Natal e desconta IRS e Segurança Social.

Faça a conta com o seu salário e a sua modalidade na calculadora de isenção de horário.

Erros comuns

  • Achar que o subsídio é 25% do salário

    Os 25% são o acréscimo de uma hora suplementar, não a percentagem do salário. O mínimo diário é uma hora suplementar (valor/hora × 1,25): em 22 dias de trabalho dá cerca de 15,9% do salário base, e na modalidade semanal cerca de 6,3%.

  • Pensar que a isenção elimina todos os limites e descansos

    A isenção dispensa o horário, não o descanso: o trabalhador mantém o descanso semanal obrigatório e complementar, os feriados e o descanso diário (artigo 219.º, n.º 3).

  • Contar com o subsídio no subsídio de Natal

    O subsídio de Natal é só retribuição base e diuturnidades (artigo 263.º), por isso não inclui a isenção de horário. No subsídio de férias, pelo contrário, a IHT entra por inteiro (artigo 264.º).

  • Assumir que o subsídio é para sempre

    Os tribunais têm entendido que o subsídio compensa um modo específico de trabalhar: quando a isenção cessa, o empregador pode deixar de o pagar sem violar a irredutibilidade da retribuição.

Perguntas frequentes

O que significa isenção de horário de trabalho?
É um regime, acordado por escrito, em que o trabalhador deixa de estar sujeito ao horário normal. Tem três modalidades (artigo 219.º do Código do Trabalho): sem sujeição aos limites máximos do período normal, com alargamento do período normal até certo limite, ou com observância do período normal acordado. Sem estipulação, aplica-se a primeira.
Quanto se recebe por isenção de horário?
Na falta de valor em convenção coletiva, o mínimo é a retribuição correspondente a uma hora de trabalho suplementar por dia ou, quando o horário normal se mantém, a duas horas por semana (artigo 265.º). Com 1000 € e 40 horas semanais, a hora suplementar vale 7,21 €: cerca de 158,65 € por mês em 22 dias, ou 62,50 € na modalidade semanal.
Quem pode ter isenção de horário?
Os casos do artigo 218.º: cargos de administração ou direção e funções de confiança, fiscalização ou apoio a esses cargos; trabalhos preparatórios ou complementares que só possam ser feitos fora do horário; e teletrabalho ou atividade regular fora da empresa sem controlo imediato. A convenção coletiva pode acrescentar outros casos. O acordo é sempre escrito.
A isenção de horário conta para o subsídio de Natal?
Não. O subsídio de Natal é composto apenas por retribuição base e diuturnidades (artigo 263.º). Para o subsídio de férias, pelo contrário, o subsídio de isenção de horário conta por inteiro (artigo 264.º).
Quem tem isenção de horário recebe horas extras?
Na isenção sem sujeição aos limites, o trabalho a mais em dia normal não é trabalho suplementar. Mas o trabalho em dia de descanso semanal ou feriado continua a ser suplementar e paga os acréscimos próprios; e, na modalidade com observância do período normal, o que exceder o horário é trabalho suplementar normal.
Calcule o subsídio mínimo do seu caso na calculadora de isenção de horário, com o seu salário e a sua modalidade.

Fontes

  1. 1.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 265.º (retribuição por isenção de horário de trabalho) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  2. 2.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), arts. 218.º e 219.º (condições e modalidades da isenção de horário) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  3. 3.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 268.º (pagamento de trabalho suplementar) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  4. 4.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), arts. 263.º e 264.º (subsídio de Natal e retribuição do período de férias) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  5. 5.Guia Prático: A Remuneração do Trabalhador (outubro de 2025) · Ordem dos Contabilistas Certificados · consultado a 10/07/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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