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Calculadora Capital

Atualização de rendas: quanto pode aumentar a renda em 2026

A renda da casa não sobe quando o senhorio quer nem quanto o senhorio quer: na falta de outro critério no contrato, sobe uma vez por ano, pelo coeficiente que o INE publica, e só depois de uma carta registada enviada com 30 dias de antecedência. Para 2026, o coeficiente é 1,0224, um aumento de 2,24%. Veja como se calcula a nova renda, o que a carta tem de dizer, e o que acontece quando o senhorio não atualizou a renda durante anos.

5 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

Na falta de um critério fixado no contrato, a renda pode ser atualizada uma vez por ano pelo coeficiente oficial do INE (artigo 1077.º do Código Civil). Para 2026 o coeficiente é 1,0224, um aumento de 2,24% (Aviso n.º 23174/2025/2): uma renda de 800 € passa para 817,92 €. A atualização só produz efeitos depois de comunicada por carta registada com aviso de receção, com pelo menos 30 dias de antecedência, e só pode ser exigida um ano após o início do contrato ou a atualização anterior. Coeficientes de anos anteriores não aplicados podem ser recuperados, até três anos de uma vez, mas nunca retroativamente. O contrato pode fixar outro critério de atualização, que prevalece sobre o coeficiente.

O coeficiente de atualização de rendas de 2026

Na falta de um critério de atualização fixado no contrato, a renda de um arrendamento pode ser atualizada uma vez por ano pelo coeficiente que o INE calcula e publica em aviso no Diário da República (artigo 1077.º do Código Civil)2. O coeficiente resulta da variação média do índice de preços no consumidor, sem habitação, dos 12 meses até 31 de agosto do ano anterior, e sai até 30 de outubro.

Para 2026, o coeficiente é 1,0224, um aumento de 2,24% (Aviso n.º 23174/2025/2, publicado a 19 de setembro de 2025)1. Aplica-se aos arrendamentos urbanos, habitacionais e não habitacionais (lojas, escritórios), e aos arrendamentos rurais.

Como se calcula a nova renda

A conta é uma multiplicação:

nova renda = renda atual × coeficiente

Com o coeficiente de 2026:

Renda atualNova renda (× 1,0224)Aumento por mês
400 €408,96 €8,96 €
500 €511,20 €11,20 €
650 €664,56 €14,56 €
800 €817,92 €17,92 €
1000 €1022,40 €22,40 €
1200 €1226,88 €26,88 €
1500 €1533,60 €33,60 €

O coeficiente é o teto da atualização anual pelo regime legal: o senhorio pode aplicar um aumento menor, ou nenhum. Faça a conta à sua renda na calculadora de atualização de rendas.

As regras: um ano, carta registada, 30 dias

A atualização não é automática. Para produzir efeitos, têm de se cumprir três regras (artigo 1077.º do Código Civil)2:

  • uma atualização por ano: a primeira só pode ser exigida um ano após o início do contrato, e cada uma das seguintes um ano após a atualização anterior;
  • comunicação por escrito: o senhorio envia carta registada com aviso de receção, ou entrega-a em mão com protocolo de receção, com pelo menos 30 dias de antecedência;
  • conteúdo da carta: o novo montante da renda e o coeficiente (ou os coeficientes) e demais fatores usados no cálculo.

Sem a carta, a renda antiga mantém-se: o inquilino não é obrigado a pagar um aumento que não lhe foi comunicado nestes termos.

Anos em atraso: até três coeficientes de uma vez

Se o senhorio não atualizou a renda num ou mais anos, não perde definitivamente esses aumentos: pode aplicar os coeficientes em falta juntamente com o do ano corrente, multiplicados uns pelos outros, até três anos de coeficientes3.

Uma renda de 800 € sem atualização desde 2023 pode ser atualizada com os três coeficientes: 800 € × 1,0694 (2024) × 1,0216 (2025) × 1,0224 (2026) = 893,58 €, um aumento total de 11,70%.

O que o senhorio não pode fazer é cobrar retroativamente as diferenças dos meses em que a renda ficou por atualizar: a recuperação só produz efeitos para a frente, a partir da comunicação.

O contrato pode fixar outro critério

O regime do coeficiente é supletivo: aplica-se quando o contrato nada diz. As partes podem estipular por escrito outro critério de atualização, por exemplo uma percentagem fixa por ano, e nesse caso é esse critério que vale, mesmo que seja superior ao coeficiente. Verifique sempre a cláusula de atualização do seu contrato antes de fazer contas.

O histórico recente dos coeficientes

AnoCoeficienteAumento
20261,0224+2,24%
20251,0216+2,16%
20241,0694+6,94%
20231,02 (travão legal)+2,00%

Em 2023, o coeficiente teria sido 1,0543, mas a Lei n.º 19/2022 limitou a atualização a 2% (o "travão das rendas"), com compensações fiscais para os senhorios4. O salto de 2024 (+6,94%) refletiu a inflação alta de 2023, medida pelo IPC sem habitação; é por isso que o coeficiente não coincide com a inflação do ano civil que se lê nas notícias.

Rendas antigas e regimes especiais

Três situações seguem regras próprias e ficam fora destas contas:

  • contratos anteriores a 1990 ainda em processo de transição para o NRAU (Novo Regime do Arrendamento Urbano): a renda segue um caminho faseado próprio, com limites ligados ao rendimento do agregado;
  • renda apoiada e arrendamento social: a renda é calculada a partir do rendimento do agregado familiar, não do coeficiente;
  • inquilinos com apoio do Porta 65 Jovem: o coeficiente aplica-se normalmente à renda, mas o apoio não acompanha o aumento sem limite. Desde 2024 a subvenção incide sobre o menor valor entre a renda paga e a renda máxima de referência do município, pelo que um aumento que empurre a renda acima dessa referência é suportado inteiramente pelo inquilino.

O outro lado da conta: o IRS do senhorio

Para o senhorio, a renda atualizada é rendimento predial (categoria F): paga IRS sobre as rendas à taxa do contrato, depois de deduzidas as despesas elegíveis, e cada pagamento é titulado por um recibo de renda eletrónico. Quem faz contas ao aumento deve fazê-las aos dois lados: o que entra a mais por mês e o imposto que esse aumento paga.

Um exemplo do início ao fim

Imagine uma renda de 800 €, atualizada pela última vez em janeiro de 2025:

  • Em 2026, o senhorio pode aplicar o coeficiente de 1,0224: nova renda 817,92 €, mais 17,92 € por mês, ou 215,04 € em 12 meses.
  • A carta registada segue com 30 dias de antecedência e indica o coeficiente (1,0224) e a nova renda (817,92 €).
  • Se a última atualização tivesse sido em 2023, podiam aplicar-se os coeficientes de 2024, 2025 e 2026 de uma vez: nova renda 893,58 €, sempre sem retroativos.

Faça a conta com a sua renda na calculadora de atualização de rendas.

Erros comuns

  • Achar que a renda sobe automaticamente em janeiro

    A atualização não é automática: sem a carta registada, enviada com 30 dias de antecedência e com o coeficiente e a nova renda, a renda antiga mantém-se.

  • Confundir o coeficiente com a inflação total

    O coeficiente usa a variação média do IPC sem habitação dos 12 meses até agosto do ano anterior, por isso não coincide com a inflação do ano civil que se lê nas notícias.

  • Pensar que o senhorio pode pedir as diferenças dos anos em que não atualizou

    Não pode. Os coeficientes em falta aplicam-se juntos, até três anos, mas só produzem efeitos para a frente: as rendas já pagas não são corrigidas retroativamente.

  • Assumir que o coeficiente é obrigatório ou um mínimo

    O coeficiente é o máximo do regime legal: o senhorio pode aplicar menos ou não atualizar. Acima do coeficiente, só com um critério de atualização estipulado no contrato.

Perguntas frequentes

Quanto pode aumentar a renda em 2026?
Pelo regime legal, a renda pode ser atualizada com o coeficiente de 1,0224, um aumento de 2,24% (Aviso n.º 23174/2025/2 do INE). Uma renda de 800 € passa para 817,92 €. Se o contrato fixar outro critério de atualização, vale o que o contrato disser.
Como se calcula a atualização da renda?
Multiplica-se a renda atual pelo coeficiente do ano: nova renda = renda × 1,0224 em 2026. Se houver coeficientes de anos anteriores por aplicar, multiplicam-se todos, até três anos de uma vez.
O senhorio tem de avisar antes de aumentar a renda?
Sim. A atualização é comunicada por carta registada com aviso de receção, ou entregue em mão com protocolo, com pelo menos 30 dias de antecedência, e a carta indica o coeficiente aplicado e a nova renda. Sem esta comunicação, a atualização não produz efeitos.
O senhorio pode aumentar a renda mais do que o coeficiente?
Só se o contrato estipular por escrito outro critério de atualização, por exemplo uma percentagem fixa. Na falta de estipulação, o coeficiente legal é o teto da atualização anual.
E se a renda não foi atualizada nos últimos anos?
O senhorio pode recuperar os coeficientes não aplicados, multiplicando-os juntamente com o do ano corrente, até três anos de coeficientes de uma vez. A recuperação só produz efeitos para a frente: as diferenças dos meses passados não podem ser cobradas.
Aplique o coeficiente à sua renda na calculadora de atualização de rendas e veja a nova renda e o aumento por mês e por ano.

Fontes

  1. 1.Aviso n.º 23174/2025/2 (INE): coeficiente de atualização de rendas para 2026 (1,0224) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  2. 2.Código Civil, art. 1077.º (atualização da renda) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
  3. 3.Coeficientes de atualização de rendas (tabela oficial por ano) · Portal da Habitação (IHRU) · consultado a 10/07/2026
  4. 4.Lei n.º 19/2022, de 21 de outubro (limite de 2% à atualização das rendas em 2023) · Diário da República · consultado a 10/07/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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