Saltar para o conteúdo
Calculadora Capital

Carregar um Carro Elétrico

Quanto custa carregar um carro elétrico em casa e num posto, e o preço por kWh que paga de facto.

As tarifas do posto (CEME e OPC) são afixadas no posto sem IVA e variam de operador para operador: substitua os valores ilustrativos pelos que lá encontrar. O preço de casa é o da sua fatura, com IVA incluído.

Total no posto público
27,28 €
Preço efetivo que pagou
0,758 €/kWh

O posto anuncia a energia a 0,22 €/kWh e a fatura completa sai a 0,758 €/kWh, ou seja 3,44 vezes mais. A diferença é a parcela de utilização do posto, cobrada pelo operador, mais o IVA sobre a fatura toda.

Energia carregada36 kWh
Duração do carregamento43,2 min
Autonomia que essa energia dá211,76 km
Parcela de energia (comercializador)7,92 €
Parcela do posto: por energia10,80 €
Parcela do posto: por tempo3,46 €
Parcela do posto: tarifa de ativação0,00 €
Subtotal sem IVA22,18 €
IVA (23 %) sobre toda a fatura5,10 €
A mesma carga feita em casa6,48 €
Custo por 100 km no posto12,88 €
Custo por 100 km em casa3,06 €

Carregar no posto custa 4,21 vezes o que a mesma carga custaria em casa, uma diferença de 20,80 € numa única sessão.

Há uma componente cobrada por minuto, pelo que o mesmo carregamento fica mais caro num carro que aceite menos potência: baixe a potência e veja o efeito.

A duração indicada é um mínimo teórico, a potência constante. Acima de cerca de 80 % de carga a potência cai, pelo que a sessão real demora mais e a componente por tempo custa mais, nunca menos.

A parcela de energia é vendida pelo comercializador (CEME) e a parcela de utilização do posto pelo operador (OPC), que são empresas distintas. A MOBI.E esclarece que a componente por kWh do operador corresponde a um serviço de utilização do ponto e não ao fornecimento de eletricidade.

Os valores não incluem as perdas de carregamento: o contador mede a energia que sai da parede e a bateria guarda um pouco menos, pelo que o custo real por kWh útil é ligeiramente superior.

A conta que a calculadora faz

Parte da energia que vai mesmo entrar na bateria, e não da capacidade total: a energia da sessão é a capacidade multiplicada pela diferença entre o estado de carga final e o inicial. Uma bateria de 60 kWh carregada dos 20 % aos 80 % recebe 36 kWh, não 60. Depois calcula o tempo, dividindo essa energia pela potência a que o carregamento decorre, porque o tempo é uma das coisas que se paga. Em casa multiplica a energia pelo preço por kWh do seu contrato e acabou, porque em casa há um só fornecedor, um só preço e nenhum operador de posto pelo meio. No posto público faz o que a fatura faz: soma a parcela de energia, soma as três componentes possíveis da parcela do posto, e só no fim aplica o IVA ao total. No fim divide o total pela energia carregada, e é esse número, o preço efetivo por kWh, que responde à pergunta que quase ninguém consegue responder.

Duas parcelas, duas empresas, uma fatura

A rede pública portuguesa é interoperável e isso tem uma consequência que confunde muita gente: quem lhe vende a eletricidade e quem lhe empresta o posto não são a mesma entidade, e ambos são pagos no mesmo carregamento. A MOBI.E, que gere a rede e define este modelo, descreve a fatura como a soma de três coisas. Primeiro a «parcela de energia», que é o tarifário do Comercializador de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica, o CEME, que é a empresa com quem tem contrato e que emite a fatura. Segundo a «parcela de utilização do posto», que «corresponde ao tarifário dos Operadores de Pontos de Carregamento (OPC), relativo ao serviço de disponibilização do posto de carregamento», e que é cobrada na fatura do CEME e depois transferida para o operador. Terceiro os impostos. A vantagem do modelo é real, e a MOBI.E sublinha-a: recebe uma fatura só, com tudo discriminado, seja qual for o posto que use. A desvantagem é que o preço que vê afixado não é um preço, são dois.

O achado: o mesmo kWh é cobrado duas vezes, com dois nomes

Esta é a frase que muda a conta, e é da própria MOBI.E, nas suas perguntas frequentes, a propósito das três componentes que um operador pode combinar: «De salientar que a componente do custo por unidade de energia corresponde a um serviço (de utilização do ponto) e não ao fornecimento de eletricidade, que é sempre responsabilidade dos Comercializadores.» Leia-a devagar. O operador do posto também pode cobrar em euros por kWh, mas o que está a vender com essa unidade não é eletricidade, é o direito de usar o equipamento. Por isso os dois valores somam-se em vez de se substituírem. Um condutor que veja «0,22 €/kWh» e multiplique pelos 36 kWh que precisa chega a 7,92 € e vai embora descansado; a fatura junta-lhe a componente por kWh do operador, a componente por minuto, uma eventual tarifa de ativação, e aplica IVA a tudo isso. No exemplo desta página o resultado são 27,28 €, ou seja 0,758 € por cada kWh, três vezes e meia o número que estava afixado. Não é um erro de ninguém nem uma cobrança indevida: é a estrutura do preço, e está publicada. Só não está publicada num sítio onde se leia antes de carregar.

A componente por minuto faz do seu carro um fator de custo

É a componente mais fácil de ignorar e a que produz as surpresas maiores, porque não depende do que leva, depende do tempo que demora a levá-lo. A MOBI.E diz que as tarifas dos operadores «podem variar ao longo do dia, ou dentro do mesmo posto serem diferentes em função da potência dos pontos de carregamento», e que uma das três variáveis é o custo por minuto. Junte-lhe um facto do lado do carro: cada modelo tem um limite próprio de potência que aceita, em corrente alternada e em corrente contínua. Um carro limitado a 7,4 kW ligado a um poste de 22 kW não carrega a 22 kW, carrega a 7,4 kW, e ocupa o posto três vezes mais tempo para levar exatamente a mesma energia. Se o operador cobrar por minuto, esse condutor paga três vezes a componente de tempo do condutor ao lado, pela mesma eletricidade. É por isso que esta calculadora pergunta a potência, e é por isso que a potência aparece no resultado. Repare ainda que o tempo que ela mostra é um mínimo teórico: acima de cerca de 80 % de carga a potência cai bastante, de modo que uma sessão real demora mais do que a conta indica e a componente por minuto custa mais, nunca menos.

O IVA incide sobre a fatura toda

Convém dizê-lo em separado porque quase todas as contas de cabeça o esquecem: o imposto não se aplica apenas à eletricidade, aplica-se também ao serviço do posto. A MOBI.E escreve-o sem margem para dúvida: «O Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), atualmente, é de 23 % no Continente, 22 % na Madeira e 16 % nos Açores, e é aplicado em toda a fatura.» A taxa do Continente é a taxa normal do artigo 18.º n.º 1 alínea c) do Código do IVA, e as taxas mais baixas das regiões autónomas existem porque o n.º 3 do mesmo artigo permite às Assembleias Legislativas dos Açores e da Madeira «fixar taxas diminuídas do IVA». No exemplo desta página o IVA sozinho são 5,10 €, dos quais quase dois terços incidem sobre a parcela do posto e não sobre a energia. Como as tarifas afixadas nos postos são apresentadas sem IVA, é uma parte do preço que só aparece no fim.

Em casa a conta é outra, e a diferença é grande

Em casa não há operador de posto, não há componente por minuto e não há tarifa de ativação: há o seu contrato de eletricidade e o preço por kWh que já paga por tudo o resto. Por isso a calculadora pede esse preço com o IVA já incluído, tal como o vê na fatura, e limita-se a multiplicar. No exemplo, os mesmos 36 kWh custam 6,48 € em casa e 27,28 € no posto, uma diferença de 20,80 € numa única carga. Duas ressalvas honestas, porque a conta caseira é simples mas não é gratuita. A primeira é que o contador conta a energia que sai da parede e a bateria guarda menos do que isso: há perdas no carregamento, sobretudo em corrente alternada, pelo que o custo real por kWh útil é ligeiramente superior ao que aqui aparece. A segunda é que a eletricidade doméstica em Portugal tem uma taxa reduzida de IVA sobre uma parte do consumo mensal em contratos de potência baixa, mas essa parte é atribuída ao consumo total da casa e não ao carro, pelo que não é derivável dos dados que esta página pede. Fica explicada, e não aproximada.

Como usar isto sem inventar números

As tarifas variam de posto para posto e é assim de propósito, porque cada operador fixa a sua. A MOBI.E é clara: «Os OPC são livres de estabelecer as tarifas OPC que entenderem» e «o tarifário desta parcela está sempre publicitado no posto». Os valores que esta calculadora traz preenchidos são ilustrativos e servem para lhe mostrar a forma da conta, não para lhe dizer o que vai pagar. Antes de carregar, leia no posto ou na aplicação a tarifa do operador e o preço da energia do seu comercializador, e escreva-os aqui. A MOBI.E disponibiliza essa consulta, posto a posto, na página «Encontrar Posto». Duas coisas a procurar em particular: se existe tarifa de ativação, porque uma tarifa fixa transforma uma carga pequena num preço por kWh absurdo, e se existe componente por minuto, porque é a que depende do seu carro e não do posto.

O que esta conta não faz

Fica de fora, e é dito em vez de aproximado. As redes que não estão ligadas à MOBI.E funcionam com outro modelo, que a própria MOBI.E descreve à parte: podem cobrar uma tarifa de fidelização periódica, agregam a energia e o posto numa parcela só e acrescentam uma tarifa do prestador de serviços de mobilidade elétrica. Não é a conta desta página. Ficam de fora as perdas de carregamento e a curva de carregamento, pelas razões acima. Fica de fora a comparação com um carro a combustível, que tem calculadora própria e que é o passo seguinte natural: com o custo por 100 km que esta página devolve, o outro lado da comparação faz-se lá. E ficam de fora os custos de ter o carro que não são energia, designadamente o imposto único de circulação e o imposto sobre veículos, de que os carros 100 % elétricos estão isentos, e que também têm calculadoras próprias.

Exemplo prático

Um carro com 60 kWh de bateria e um consumo de 17 kWh/100 km é carregado dos 20 % aos 80 %, ou seja 36 kWh, o suficiente para cerca de 212 km. Num posto rápido a 50 kW isso demora 43,2 minutos. Suponha que o posto mostra energia a 0,22 €/kWh, uma tarifa de operador de 0,30 €/kWh e mais 0,08 €/minuto, sem tarifa de ativação. A parcela de energia são 7,92 €, a parcela de utilização do posto são 14,26 € (10,80 € pela componente por kWh mais 3,46 € pelos 43,2 minutos), o subtotal são 22,18 €, o IVA a 23 % são 5,10 € e o total são 27,28 €. Dividido pelos 36 kWh, pagou 0,758 € por kWh: 3,44 vezes o preço da energia que estava afixado. A mesma carga em casa, a 0,18 €/kWh com IVA, custaria 6,48 €, ou seja 20,80 € menos e um quarto do preço. Convertido para distância, são 12,88 € por 100 km no posto contra 3,06 € por 100 km em casa. Vale a pena guardar a ordem de grandeza: 12,88 € por 100 km é mais do que um carro a gasolina que faça 6 litros aos 100 a 1,80 €/litro, que gastaria 10,80 €. Carregar em casa é imbatível; carregar sempre em posto rápido pode sair mais caro do que a gasolina.

Perguntas frequentes

Quanto custa carregar um carro elétrico em Portugal?
Depende sobretudo de onde carrega, e a diferença é de várias vezes. Em casa paga apenas o preço por kWh do seu contrato de eletricidade: uma carga de 36 kWh a 0,18 €/kWh custa 6,48 €. Num posto público da rede MOBI.E paga duas parcelas, a energia do comercializador e a utilização do posto cobrada pelo operador, mais IVA sobre tudo: a mesma carga de 36 kWh pode custar 27,28 €. Como as tarifas do operador variam de posto para posto e podem incluir componentes por minuto e por sessão, a única forma honesta de responder é fazer a conta com os valores afixados no posto onde vai carregar.
Porque é que paguei muito mais do que o preço por kWh que estava afixado?
Porque o preço por kWh que viu é, quase sempre, apenas a parcela de energia. A MOBI.E explica que o operador do posto cobra a sua própria tarifa, que pode ter uma componente em euros por kWh, uma componente por minuto e uma tarifa fixa por carregamento, e diz expressamente que a componente por kWh do operador «corresponde a um serviço (de utilização do ponto) e não ao fornecimento de eletricidade». Depois disso o IVA incide sobre a fatura toda, incluindo a parte do posto. Some as duas parcelas e o imposto e é normal chegar a um preço efetivo três vezes superior ao número afixado.
Carregar em casa é assim tão mais barato?
Em regra sim, e por uma margem grande. Em casa não há tarifa de operador, não há componente por minuto e não há tarifa de ativação, pelo que paga uma multiplicação simples pelo preço do seu contrato. No exemplo desta página a mesma carga custa 6,48 € em casa e 27,28 € num posto rápido. Duas notas: há perdas no carregamento, sobretudo em corrente alternada, pelo que a bateria recebe um pouco menos do que o contador marca; e carregar em casa exige tempo e, muitas vezes, uma tomada dedicada ou um carregador instalado.
Porque é que dois carros pagam valores diferentes no mesmo posto?
Porque uma das componentes da tarifa do operador é cobrada por minuto, e o tempo depende do carro. Cada modelo tem um limite de potência que aceita: um carro limitado a 7,4 kW ligado a um poste de 22 kW carrega a 7,4 kW e ocupa o posto cerca de três vezes mais tempo do que um carro que aceite os 22 kW, para levar a mesma energia. Se houver componente por minuto, paga cerca de três vezes essa componente. É também a razão pela qual convém não deixar o carro ligado depois de acabar.
O IVA aplica-se só à eletricidade?
Não. A MOBI.E escreve que o IVA «é aplicado em toda a fatura», ou seja incide também sobre a parcela de utilização do posto. A taxa é a taxa normal do artigo 18.º n.º 1 alínea c) do Código do IVA, 23 % no Continente, e 22 % na Madeira e 16 % nos Açores, taxas regionais que existem ao abrigo do n.º 3 do mesmo artigo. Como as tarifas afixadas nos postos são apresentadas sem IVA, é uma parte do preço que só aparece no fim.
O que é o IEC que aparece na fatura da eletricidade?
É o Imposto Especial sobre o Consumo de Energia Elétrica. A MOBI.E identifica-o como parte da parcela de energia e situa-o em 0,001 € por kWh no Continente, ao abrigo da Portaria n.º 320-D/2011. É um valor pequeno, cerca de quatro cêntimos numa carga de 36 kWh, e já está dentro do preço por kWh que o comercializador anuncia. Por isso esta calculadora não o soma outra vez: contá-lo duas vezes seria tão errado como esquecê-lo.
Um carro elétrico paga IUC e ISV?
Os automóveis ligeiros de passageiros exclusivamente elétricos estão isentos de Imposto sobre Veículos na matrícula e o seu Imposto Único de Circulação é substancialmente mais favorável, porque as tabelas assentam na cilindrada e nas emissões de CO₂. Esses impostos não fazem parte do custo de carregamento e por isso não entram nesta conta, mas fazem parte do custo de ter o carro. Temos calculadoras próprias para o ISV e para o IUC.

Calculadoras e leituras relacionadas

Incorporar esta calculadora

Cole este código no seu site para mostrar a calculadora. Inclui um link de atribuição.

Idioma
Tema
Cor

Pré-visualização

Gratuito. O código ajusta a altura automaticamente.

Fontes

Autor: Thorben Rasmus Idel · Revisto por: Nahar Geva · Última revisão: 2026-08-31