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Calculadora Capital

O que são os Certificados do Tesouro? A Série 5 explicada

Os Certificados do Tesouro voltaram a mudar: desde 6 de julho de 2026 vende-se a Série 5, com taxas fixas que sobem de 2,35% no primeiro ano até 3,35% no décimo, e o antigo Poupança Valor fechou a novas subscrições. Este guia explica como funciona a nova série, como e quando recebe os juros, que imposto paga, como resgatar sem perder dinheiro e como compara com os Certificados de Aforro.

6 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

Os Certificados do Tesouro são a poupança do Estado a 10 anos. A série à venda desde 6 de julho de 2026 é a Série 5 (RCM n.º 141-A/2026): taxas brutas fixas e crescentes, de 2,35% no 1.º ano a 3,35% no 10.º (média de 2,71% até à maturidade), juros pagos uma vez por ano na data de aniversário, sem capitalização, com retenção de 28% de IRS. Subscrição mínima de 1 000 € e máxima de 1 000 000 € por titular, no AforroNet, nos CTT e nos Espaços Cidadão. O resgate é possível a partir de 1 ano, devolve sempre o capital por inteiro e perde apenas os juros corridos desde o último pagamento anual. O antigo Poupança Valor (CTPV) fechou a novas subscrições; quem já o tinha mantém as suas condições.

O que são os Certificados do Tesouro

Os Certificados do Tesouro são, ao lado dos Certificados de Aforro, a forma de emprestar dinheiro diretamente ao Estado português. Quem subscreve compra dívida pública de retalho emitida pelo IGCP, a agência que gere a tesouraria e a dívida do Estado: o capital está garantido e a remuneração está definida por lei nas condições de cada série1.

Enquanto os Certificados de Aforro seguem a Euribor e capitalizam, os Certificados do Tesouro sempre foram o produto de prazo mais longo e taxa anunciada: sabe hoje o que cada ano vai pagar. A série em comercialização muda de tempos a tempos, e é aí que está a novidade de 2026.

A Série 5: as taxas em vigor desde 6 de julho de 2026

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 141-A/2026, de 3 de julho, criou os Certificados do Tesouro «Série 5», em comercialização desde 6 de julho de 20262. O prazo é de 10 anos e a taxa bruta de cada ano é fixa e crescente1:

AnoTaxa bruta
1.º2,35%
2.º e 3.º2,45%
4.º e 5.º2,65%
6.º e 7.º2,75%
8.º e 9.º2,85%
10.º3,35%

Levar a série até à maturidade rende, em média, 2,71% brutos ao ano. Não há qualquer componente variável: ao contrário do antigo Poupança Valor, a Série 5 não tem prémio ligado ao crescimento do PIB, e ao contrário dos Certificados de Aforro não depende da Euribor. A taxa que vê na tabela é a taxa que recebe.

Como são pagos os juros (e o imposto)

Cada subscrição vence juros uma vez por ano, na data de aniversário1. Os juros são pagos ao titular e não capitalizam: no ano seguinte, o rendimento volta a ser calculado sobre o montante subscrito, nunca sobre juros acumulados. Quem subscreve 10 000 € recebe 235 € brutos no fim do primeiro ano, 245 € no segundo, e assim por diante até aos 335 € do décimo.

Sobre cada pagamento incide a taxa liberatória de 28% de IRS, retida na fonte (artigo 71.º do Código do IRS)3: dos 235 € brutos do primeiro ano chegam 169,20 € à conta. O capital devolvido no fim não paga imposto. Como a retenção é liberatória, não precisa de declarar estes juros no IRS, salvo se optar pelo englobamento.

Subscrição, mínimos e resgate

Cada certificado vale 1 €. A subscrição mínima é de 1 000 € e o máximo por titular é de 1 000 000 €1. Pode subscrever no AforroNet (o serviço online do IGCP), nos balcões dos CTT e nos Espaços Cidadão aderentes2.

O resgate tem duas regras a saber de cor. Primeiro, só é possível a partir de 1 ano depois da data-valor da subscrição: no primeiro ano o dinheiro fica indisponível. Segundo, resgatar entre datas de aniversário perde os juros decorridos desde o último pagamento anual1. O capital vem sempre por inteiro; o custo de sair a meio do ano são os juros corridos desse ano. Na prática, o momento certo para resgatar é na data de aniversário, logo depois de o juro anual ser pago.

O que aconteceu ao Poupança Valor (CTPV)

Os Certificados do Tesouro Poupança Valor, a série anterior, deixaram de poder ser subscritos em 6 de julho de 20262. Quem já os tinha não perde nada: as subscrições existentes mantêm as suas condições até à maturidade, incluindo o prémio ligado ao crescimento real do PIB que acrescia às taxas a partir do 3.º ano, e que o IGCP continua a fixar trimestralmente para essas subscrições.

Para quem procura onde aplicar poupança nova, a escolha dentro da dívida de retalho do Estado passou a ser entre a Série 5 e os Certificados de Aforro Série F.

Certificados do Tesouro vs Certificados de Aforro

Certificados do Tesouro Série 5Certificados de Aforro Série F
TaxaFixa e crescente: 2,35% a 3,35%Variável mensal: Euribor 3M (teto 2,5%) + prémios de permanência
Prazo10 anosAté 15 anos
JurosPagos ao ano, não capitalizamCapitalizam ao trimestre
Subscrição mínima1 000 €10 €
ResgateA partir de 1 ano; perde juros corridos do anoA partir de 3 meses
IRS28% na fonte28% na fonte

A diferença de fundo é o tipo de risco que aceita. A Série 5 dá certeza: a tabela de taxas está fechada e uma descida da Euribor não lhe toca. Os Certificados de Aforro acompanham o mercado: pagam mais quando a Euribor sobe e menos quando desce, e o teto de 2,5% na taxa base limita o lado bom. Quem recebe os juros todos os anos (Tesouro) pode gastá-los ou reinvesti-los; quem os capitaliza (Aforro) põe os juros a render sozinhos. Pode pôr os dois lado a lado com a calculadora de Certificados de Aforro e a nossa calculadora da Série 5.

Quanto rendem: um exemplo

Com 10 000 € na Série 5 até à maturidade: os juros brutos somam 2 710 € ao longo dos 10 anos, o IRS retido é de 758,80 € e sobram 1 951,20 € líquidos. No fim recebe de volta os 10 000 € de capital, num total de 11 951,20 €. Se resgatar ao fim de 5 anos, os juros brutos ficam pelos 1 255 € (903,60 € líquidos), porque os anos que pagam mais são os últimos.

Para fazer as contas ao seu caso, use a calculadora de Certificados do Tesouro: mostra o juro de cada ano, bruto e líquido, e o total no fim. Para comparar com um depósito bancário, a calculadora de depósito a prazo faz a mesma conta do lado dos bancos, e a calculadora de juros compostos mostra o que muda quando os juros ficam a render em vez de serem pagos.

Erros comuns

  • Assumir que os juros capitalizam como nos Certificados de Aforro

    Não capitalizam. Nos Certificados do Tesouro os juros são pagos ao titular todos os anos e o ano seguinte volta a render apenas sobre o montante subscrito. Quem quer juros a render sobre juros tem de os reinvestir por sua conta, ou preferir os Certificados de Aforro, que capitalizam trimestralmente.

  • Confundir a Série 5 com o antigo Poupança Valor e esperar o prémio do PIB

    O prémio ligado ao crescimento do PIB era do CTPV, que fechou a novas subscrições em 6 de julho de 2026. A Série 5 não tem prémio nenhum: a taxa de cada ano é fixa e está na ficha técnica desde o primeiro dia. Quem já tinha CTPV mantém as condições antigas, incluindo o prémio.

  • Resgatar a meio do ano e perder os juros corridos

    O resgate devolve sempre o capital por inteiro, mas os juros decorridos desde o último vencimento anual perdem-se. Se puder, resgate na data de aniversário da subscrição (ou logo a seguir ao pagamento anual) para não deixar juros para trás.

  • Comparar a taxa do 10.º ano (3,35%) como se fosse a taxa de todo o prazo

    Os 3,35% só se pagam no décimo ano. Quem leva a Série 5 até ao fim recebe em média 2,71% brutos ao ano; quem resgata cedo fica pelas taxas dos primeiros anos (2,35% a 2,45%). A conta certa faz-se ano a ano, como na calculadora.

  • Esquecer o IRS na comparação com outros produtos

    Os juros pagam 28% de retenção na fonte, como os dos depósitos a prazo e dos Certificados de Aforro. Uma taxa bruta de 2,71% é cerca de 1,95% líquidos. Compare sempre líquido com líquido.

Perguntas frequentes

O que são os Certificados do Tesouro?
São um produto de poupança do Estado português, emitido pelo IGCP, com capital garantido e prazo de 10 anos. A série em comercialização desde 6 de julho de 2026 é a Série 5: taxas fixas e crescentes de 2,35% a 3,35%, juros anuais e subscrição mínima de 1 000 €.
Qual é a taxa de juro dos Certificados do Tesouro Série 5?
Fixa e crescente: 2,35% no 1.º ano, 2,45% no 2.º e 3.º, 2,65% no 4.º e 5.º, 2,75% no 6.º e 7.º, 2,85% no 8.º e 9.º e 3,35% no 10.º. Até à maturidade, a média é de 2,71% brutos ao ano. Não há prémio adicional.
Como e quando recebo os juros?
Uma vez por ano, na data de aniversário da subscrição, por crédito ao titular. Os juros não capitalizam: cada ano rende sobre o montante subscrito. Cada pagamento chega já líquido da retenção de 28% de IRS.
Posso resgatar antes dos 10 anos?
Sim, a partir de 1 ano após a data-valor da subscrição. Recebe sempre o capital por inteiro; perde apenas os juros decorridos desde o último vencimento anual. Entre a subscrição e o fim do 1.º ano, o dinheiro fica indisponível.
O que aconteceu aos Certificados do Tesouro Poupança Valor?
Fecharam a novas subscrições em 6 de julho de 2026, quando a Série 5 entrou em comercialização. Quem já os tinha mantém as condições da sua subscrição até à maturidade, incluindo o prémio trimestral ligado ao PIB, que o IGCP continua a publicar.
Certificados do Tesouro ou Certificados de Aforro?
Ambos têm capital garantido pelo Estado. Os do Tesouro dão certeza: taxa fixa conhecida à partida, a 10 anos, com juros pagos ao ano. Os de Aforro seguem a Euribor a 3 meses (com teto de 2,5% mais prémios de permanência), capitalizam trimestralmente e vão até 15 anos. Com a Euribor alta, os de Aforro tendem a pagar mais; com a Euribor baixa, a Série 5 protege a taxa.

Fontes

  1. 1.Ficha Técnica dos Certificados do Tesouro «Série 5» · Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) · consultado a 3/08/2026
  2. 2.IGCP lança Certificados do Tesouro «Série 5» com taxas crescentes e capital garantido · Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) · consultado a 3/08/2026
  3. 3.Artigo 71.º do Código do IRS: Taxas liberatórias · Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 3/08/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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