O que é o Complemento por Dependência?
O complemento por dependência é o apoio mensal da Segurança Social para pensionistas que precisam da ajuda de outra pessoa nas necessidades básicas do dia a dia. Em 2026 vale entre 118,08 € e 236,16 € por mês, conforme a pensão e o grau, e é pago a dobrar em julho e em dezembro. Veja quem tem direito, a regra dos 600 € que trava o 1.º grau e como se pede.

Resposta rápida
O complemento por dependência (Decreto-Lei n.º 265/99) é pago aos pensionistas de invalidez, velhice ou sobrevivência que precisam da ajuda de outra pessoa para a higiene pessoal, para se alimentar ou para se deslocar. Há dois graus: o 1.º (falta de autonomia no dia a dia) e o 2.º (além disso, acamado ou com demência grave). Em 2026 vale 131,20 € (1.º grau) e 236,16 € (2.º grau) nas pensões do regime geral, e 118,08 €/223,04 € na pensão social, no regime agrícola e nos equiparados, por referência à pensão social de 262,40 €. O 1.º grau só é atribuído enquanto a soma das pensões da mesma natureza não passar de 600 € por mês; o 2.º grau não tem limite. É pago junto com a pensão e a dobrar em julho e em dezembro (14 pagamentos por ano). Pede-se na Segurança Social, sem prazo, com certificação médica avaliada pelo Sistema de Verificação de Incapacidades.
O que é o complemento por dependência?
O complemento por dependência é uma prestação mensal em dinheiro, prevista no Decreto-Lei n.º 265/99, paga aos pensionistas que se encontram numa situação de dependência: pessoas que não conseguem, sozinhas, fazer a sua higiene pessoal, alimentar-se ou deslocar-se, e que por isso precisam da assistência de outra pessoa1. O complemento acresce à pensão e é pago junto com ela.
Dois pontos importantes logo à partida: não é automático (tem de ser requerido na Segurança Social) e não depende dos rendimentos, ao contrário de apoios como o complemento solidário para idosos. A única exceção é o limite de 600 € que condiciona o 1.º grau, explicado abaixo.
Pode confirmar o valor do seu caso na calculadora do complemento por dependência.
Quem tem direito?
Têm direito, quando está certificada a situação de dependência, as pessoas que recebem uma destas pensões3:
- Regime geral: pensão de invalidez, de velhice ou de sobrevivência;
- Regime especial das atividades agrícolas: as mesmas três pensões;
- Regime não contributivo ou equiparado: pensão social de invalidez ou de velhice, pensão de orfandade, pensão de viuvez e regime rural transitório.
O complemento pode ainda ser atribuído a quem não é pensionista, nas situações de incapacidade de locomoção originadas pelas doenças da Lei n.º 90/2009: paramiloidose familiar, doença de Machado-Joseph, VIH, esclerose múltipla, doença do foro oncológico, esclerose lateral amiotrófica, doença de Parkinson e doença de Alzheimer3.
Os dois graus de dependência
A lei distingue dois graus, e o valor do complemento depende deles1:
- 1.º grau: a pessoa não tem autonomia para satisfazer as necessidades básicas da vida quotidiana. Não consegue fazer a higiene pessoal, alimentar-se ou deslocar-se sozinha.
- 2.º grau: além da dependência de 1.º grau, a pessoa encontra-se acamada ou tem demência grave.
O grau não é declarado pelo próprio nem pelo médico de família: é certificado pelo Sistema de Verificação de Incapacidades (SVI) da Segurança Social, com base na informação médica entregue com o pedido. Se a situação se agravar, pode pedir-se um exame de revisão para passar ao 2.º grau.
Quanto se recebe em 2026?
Os valores são percentagens da pensão social, que em 2026 vale 262,40 €, e constam da Portaria n.º 480-B/2025/12:
| Pensão que recebe | 1.º grau | 2.º grau |
|---|---|---|
| Regime geral (invalidez, velhice, sobrevivência) | 131,20 € (50 %) | 236,16 € (90 %) |
| Regime agrícola, pensão social e equiparadas | 118,08 € (45 %) | 223,04 € (85 %) |
Atenção aos valores errados que circulam: vários sites publicam 131,19 € ou 236,14 € para 2026. Os valores oficiais da portaria são os da tabela acima, que resultam exatamente das percentagens sobre os 262,40 € da pensão social2.
A regra dos 600 € no 1.º grau
O complemento de 1.º grau só é atribuído enquanto o pensionista não receber mais de 600 € de pensões por mês3. Para esta conta somam-se as pensões da mesma natureza:
- as pensões de direito próprio (invalidez, velhice, aposentação ou reforma) somam entre si;
- as pensões de direito derivado (sobrevivência, viuvez, orfandade) somam entre si.
Se a soma passar de 600 €, o 1.º grau não é atribuído e, se já estiver a ser pago, termina. O 2.º grau não tem qualquer limite de pensão: é pago seja qual for o valor da reforma.
Pago a dobrar em julho e em dezembro
O complemento é pago todos os meses, junto com a pensão, e a dobrar nos meses de julho e de dezembro3. São, na prática, 14 pagamentos por ano:
- 1.º grau do regime geral: 131,20 € × 14 = 1836,80 € por ano;
- 2.º grau do regime geral: 236,16 € × 14 = 3306,24 € por ano.
É pago ao pensionista ou à pessoa ou instituição a quem a pensão está a ser paga.
Com que apoios pode acumular?
- Acumula com as pensões que lhe dão direito (invalidez, velhice, sobrevivência, pensão social, orfandade, viuvez, regime agrícola e rural transitório)3.
- O complemento de 1.º grau pode acumular com o complemento solidário para idosos.
- Não acumula com rendimentos do trabalho nem com cursos de formação: o exercício de qualquer atividade profissional, remunerada ou não, faz cessar o direito3.
- Não acumula com outra prestação que tenha o mesmo fim.
- Nos lares com apoio financiado pelo Estado, o pensionista só pode receber o complemento de 1.º grau, não o de 2.º (num lar sem apoio do Estado, o 2.º grau mantém-se).
Como se pede?
O pedido faz-se na Segurança Social, sem prazo, com4:
- o formulário do regime respetivo: CNP-05 (regime contributivo) ou RP5027 (regime não contributivo);
- a informação médica para a avaliação da incapacidade (Mod. SVI 7-DGSS, disponível no atendimento presencial da Segurança Social e nos centros de saúde);
- os documentos de identificação do pensionista e de quem presta a assistência.
O direito começa no mês seguinte ao da entrega do pedido e a resposta demora, em média, 150 dias. Depois de atribuído, é obrigatório comunicar à Segurança Social se a pessoa começar a trabalhar, se deixar de receber a assistência indicada no pedido ou se deixar de estar em situação de dependência.
Complemento por dependência ou CSI?
São apoios diferentes que muitas famílias confundem. O complemento solidário para idosos completa rendimentos baixos de quem já atingiu a idade da reforma, com condição de recursos. O complemento por dependência paga a necessidade de ajuda de outra pessoa, seja qual for o rendimento (com a única exceção do limite de 600 € no 1.º grau). Por isso mesmo, o 1.º grau pode acumular com o CSI: um idoso com uma pensão baixa e dependência certificada pode receber os dois.
Erros comuns
Confundir o complemento por dependência com o CSI
São apoios diferentes: o CSI completa rendimentos baixos de idosos (condição de recursos); o complemento por dependência paga a necessidade de ajuda de outra pessoa, seja qual for o rendimento, com a única exceção do limite de 600 € no 1.º grau. O 1.º grau pode até acumular com o CSI.
Pensar que o limite de 600 € se aplica aos dois graus
O limite da soma das pensões só existe no 1.º grau. No 2.º grau (acamado ou demência grave) o complemento é pago seja qual for o valor da pensão.
Somar pensões de natureza diferente na regra dos 600 €
Somam-se as pensões da mesma natureza: as de direito próprio (invalidez, velhice, aposentação) entre si e as de direito derivado (sobrevivência, viuvez, orfandade) entre si. Uma pensão de velhice de 500 € mais uma de sobrevivência de 300 € não somam 800 € para este efeito.
Usar valores desatualizados que circulam na internet
Vários sites publicam valores de 2026 errados (por exemplo 131,19 € ou 236,14 €). Os valores oficiais constam da Portaria n.º 480-B/2025/1: 131,20 € e 236,16 € no regime geral, 118,08 € e 223,04 € nos restantes.
Esperar que o complemento seja atribuído automaticamente
Tem de ser requerido na Segurança Social, com informação médica, e a dependência é certificada pelo Sistema de Verificação de Incapacidades. Sem requerimento não há pagamento, e o direito só começa no mês seguinte ao do pedido.
Perguntas frequentes
O que é o complemento por dependência?
Qual é o valor do complemento por dependência em 2026?
Quem tem direito ao complemento por dependência?
O que é a dependência de 1.º e de 2.º grau?
O complemento por dependência é pago a dobrar?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Decreto-Lei n.º 265/99: prestação complementar para pensionistas em situação de dependência · Diário da República · consultado a 14/07/2026
- 2.Portaria n.º 480-B/2025/1: valores do complemento por dependência e da pensão social para 2026 · Diário da República · consultado a 14/07/2026
- 3.Complemento por Dependência (Guia Prático do Instituto da Segurança Social) · Segurança Social · consultado a 14/07/2026
- 4.Requerer o complemento por dependência · gov.pt · consultado a 14/07/2026
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Thorben Rasmus Idel
Cofundador e autor
Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
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Nahar Geva
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