Lay-off: o que é, quanto se recebe e quanto dura
No lay-off a empresa reduz os horários ou suspende contratos para evitar despedimentos, e o trabalhador recebe um montante mensal garantido: dois terços do salário bruto, com um mínimo de 920 € e um máximo de 2760 € em 2026. Veja como se calcula, quem paga e que direitos mantém.

Resposta rápida
O lay-off é uma medida temporária do Código do Trabalho (artigos 298.º e seguintes) que permite a uma empresa em crise reduzir horários ou suspender contratos para evitar despedimentos. O trabalhador tem direito a um montante mensal garantido de dois terços da retribuição normal ilíquida, com um mínimo de 920 € e um máximo de 2760 € em 2026. A compensação retributiva é paga em 30% pela empresa e 70% pela Segurança Social. A medida dura até seis meses (um ano em catástrofe), prorrogável por mais seis, e durante o lay-off e nos 30 ou 60 dias seguintes o trabalhador abrangido não pode ser despedido por despedimento coletivo nem extinção do posto. Mantém as férias e os subsídios de férias e de Natal por inteiro.
O que é o lay-off?
O lay-off é uma medida temporária prevista no Código do Trabalho (artigos 298.º e seguintes)1 para empresas em situação de crise empresarial: motivos de mercado (quebra de encomendas, por exemplo), motivos estruturais ou tecnológicos, ou uma catástrofe ou outra ocorrência que atinja gravemente a atividade normal.
Em vez de despedir, a empresa pode, durante um período limitado:
- reduzir os períodos normais de trabalho (trabalha-se menos horas); ou
- suspender os contratos de trabalho (não se trabalha de todo).
O ponto essencial: não é um despedimento. O contrato mantém-se, a antiguidade continua a contar e o trabalhador regressa ao seu posto no fim da medida.
Quanto se recebe em lay-off?
Durante a redução ou suspensão tem direito a um montante mensal garantido: dois terços da retribuição normal ilíquida (o salário bruto), com dois limites em 2026 (artigo 305.º, n.º 1)2:
Mínimo: 920 € (a retribuição mínima mensal garantida3) · Máximo: 2760 € (o triplo)
Veja como fica por salário:
| Salário bruto | Recebe em lay-off | Regra aplicada |
|---|---|---|
| 920 € | 920 € | recebe o salário por inteiro |
| 1200 € | 920 € | mínimo de 920 € (2/3 seriam 800 €) |
| 1500 € | 1000 € | dois terços |
| 2000 € | 1333,33 € | dois terços |
| 3000 € | 2000 € | dois terços |
| 4500 € | 2760 € | teto de 2760 € (2/3 seriam 3000 €) |
Faça a conta ao seu caso, com a sua modalidade, na calculadora de lay-off.
Quem paga: a empresa ou a Segurança Social?
A compensação retributiva é paga em 30% pelo empregador e em 70% pela Segurança Social (artigo 305.º, n.º 4)2. Na prática, o trabalhador recebe tudo junto, através da empresa, que depois é reembolsada da parte da Segurança Social.
Suspensão ou redução: qual a diferença?
- Suspensão do contrato: não trabalha e recebe o montante garantido por inteiro como compensação retributiva.
- Redução do horário: recebe a retribuição das horas que trabalha (paga pela empresa como salário normal) e, se ficar abaixo do montante garantido, uma compensação retributiva que completa a diferença. Se as horas trabalhadas já pagarem o garantido ou mais, não há compensação.
Com um salário de 1500 € e o horário reduzido a metade: 750 € pelas horas trabalhadas mais 250 € de compensação retributiva, num total de 1000 € (os mesmos dois terços da suspensão).
Quanto tempo pode durar?
A medida não pode exceder seis meses, ou um ano em caso de catástrofe ou ocorrência equiparada, e pode ser prorrogada por um período máximo de seis meses (artigo 301.º)1.
Posso ser despedido durante o lay-off?
Durante o lay-off e nos 30 ou 60 dias seguintes (consoante a duração da medida), a empresa não pode fazer cessar o contrato de um trabalhador abrangido por despedimento coletivo nem por extinção do posto de trabalho (artigo 303.º)1.
Se o despedimento acontecer depois desse período de proteção, aplicam-se as regras normais: indemnização por despedimento e, reunidas as condições, subsídio de desemprego.
Os direitos que se mantêm
Durante o lay-off o trabalhador mantém os direitos essenciais do contrato:
- Férias e subsídio de férias por inteiro, como se estivesse a trabalhar;
- Subsídio de Natal por inteiro: na suspensão, a Segurança Social suporta metade do valor correspondente à compensação retributiva e a empresa paga o restante (artigo 306.º)2;
- pode exercer outra atividade remunerada fora da empresa, comunicando ao empregador; esse rendimento conta para o montante garantido e para o teto, e a compensação pode ser reduzida na medida correspondente;
- na suspensão, não é atribuído subsídio de doença por doença que ocorra durante a medida (a compensação retributiva continua a ser paga).
Para comparar os subsídios de férias e de Natal com o que recebia a trabalhar, veja a calculadora de subsídio de férias e de Natal.
O lay-off desconta para o IRS e a Segurança Social?
Sim. A compensação retributiva é rendimento do trabalho (categoria A): tem retenção de IRS segundo as tabelas e desconta 11% para a Segurança Social, como o resto do salário. Os valores desta página são brutos; para ver o efeito no líquido, use a calculadora de salário líquido.
E o lay-off simplificado?
Em momentos de crise, o Governo cria por vezes regimes excecionais de lay-off simplificado, temporários e com regras próprias: foi o caso da pandemia em 2020 e do regime criado em 2026 para as zonas atingidas pela tempestade Kristin (Decreto-Lei n.º 31-C/2026), com percentagens e comparticipações diferentes das do regime geral. Se a empresa estiver abrangida por um destes regimes, confirme as regras do diploma concreto; o que descrevemos aqui é o regime geral do Código do Trabalho.
Um exemplo do início ao fim
Imagine um salário bruto de 1500 € e o contrato suspenso:
- Montante garantido: 2/3 × 1500 € = 1000 € (acima do mínimo de 920 €, abaixo do teto).
- A empresa paga 300 € e a Segurança Social 700 €, tudo entregue pela empresa.
- Face ao salário, perde 500 € brutos por mês (33%).
- Sobre os 1000 € desconta IRS (tabelas de retenção) e 11% de Segurança Social.
Faça a conta para o seu caso na calculadora de lay-off.
Erros comuns
Confundir o lay-off com despedimento
No lay-off o contrato mantém-se: o trabalhador regressa no fim da medida. Só se houver despedimento (antes ou depois) é que há indemnização e subsídio de desemprego.
Aplicar os dois terços a todos os salários
Os dois terços têm limites: nunca menos de 920 € (quem ganha 1200 € recebe 920 €, não 800 €) e nunca mais de 2760 € (quem ganha 4500 € recebe 2760 €, não 3000 €).
Usar as regras do lay-off simplificado da pandemia
Os regimes simplificados (2020, ou o da tempestade Kristin de 2026) são excecionais e temporários, com percentagens e comparticipações próprias. O regime geral é o do Código do Trabalho.
Perguntas frequentes
O que é o layoff?
Quanto se recebe em layoff?
Quem paga o layoff?
Posso ser despedido durante o layoff?
Quanto tempo pode durar o layoff?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), arts. 298.º e ss. (redução ou suspensão em situação de crise empresarial) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
- 2.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), arts. 305.º e 306.º (compensação retributiva e subsídio de Natal) · Diário da República · consultado a 10/07/2026
- 3.Decreto-Lei n.º 139/2025: retribuição mínima mensal garantida de 920 € (Continente) para 2026 · Diário da República · consultado a 10/07/2026
- 4.Lay-off: informação para trabalhadores e empregadores · Segurança Social · consultado a 10/07/2026
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Thorben Rasmus Idel
Cofundador e autor
Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
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Nahar Geva
Cofundação e revisão independente
Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.
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