Aviso prévio: quantos dias e como funciona
Quem se demite tem de avisar com 30 ou 60 dias de antecedência; quem é despedido por causas objetivas tem direito a um aviso de 15 a 75 dias. Veja os prazos do Código do Trabalho para cada situação, como se conta o período e quanto custa, em euros, não cumprir o aviso prévio.

Resposta rápida
O aviso prévio é o tempo mínimo entre a comunicação do fim do contrato e a saída. Na demissão de um contrato sem termo é de 30 dias (até dois anos de antiguidade) ou 60 dias (mais de dois anos), nos termos do artigo 400.º, n.º 1 do Código do Trabalho; num contrato a termo é de 30 ou 15 dias conforme o contrato dure pelo menos seis meses ou menos. No despedimento coletivo, na extinção do posto e na inadaptação, o empregador avisa com 15, 30, 60 ou 75 dias conforme a antiguidade (artigo 363.º, n.º 1). Quem não cumprir o aviso paga a retribuição base e diuturnidades do período em falta: com 1000 € de base, 30 dias em falta custam 1000 €. O prazo conta-se em dias seguidos e a comunicação deve ser escrita.
O que é o aviso prévio
O aviso prévio é o tempo mínimo que tem de passar entre a comunicação de que o contrato vai acabar e a saída efetiva. Serve para as duas partes: dá ao empregador tempo para substituir quem sai e ao trabalhador tempo para procurar novo emprego. O Código do Trabalho fixa prazos diferentes conforme quem faz cessar o contrato e o tipo de contrato, e dá um preço, em euros, a cada dia de aviso que fique por cumprir.
Demissão pelo trabalhador: 30 ou 60 dias
Quem quer sair de um contrato sem termo deve comunicar a denúncia por escrito com a antecedência mínima do artigo 400.º, n.º 11:
| Antiguidade na empresa | Aviso prévio |
|---|---|
| Até 2 anos | 30 dias |
| Mais de 2 anos | 60 dias |
Num contrato a termo, o prazo depende da duração do contrato (n.º 3): 30 dias se o contrato durar pelo menos seis meses, 15 dias se durar menos. No termo incerto conta o tempo já decorrido (n.º 4).
Dois cuidados práticos: o prazo conta-se em dias seguidos (de calendário), não úteis; e em cargos de administração, direção ou representação o IRCT ou o contrato podem alargar o aviso até seis meses (n.º 2): confirme antes de marcar a data de saída. Faça a conta ao seu caso na calculadora de aviso prévio.
Faltar ao aviso prévio custa dinheiro
Quem não cumpre o aviso, no todo ou em parte, deve ao empregador uma indemnização igual à retribuição base e diuturnidades correspondentes ao período em falta (artigo 401.º)2. A conta usa o valor diário do salário base:
| Salário base | Dias em falta | Indemnização |
|---|---|---|
| 920 € | 30 | 920 € |
| 1000 € | 30 | 1000 € |
| 1000 € | 60 | 2000 € |
| 1500 € | 15 | 750 € |
Ou seja: salário base mensal ÷ 30 × dias em falta. O empregador pode ainda exigir uma indemnização por danos adicionais que prove terem resultado da falta de aviso (por exemplo, num pacto de permanência). Na prática, o valor é habitualmente acertado no fecho de contas final, junto com as férias vencidas e os proporcionais.
Despedimento: o aviso que o empregador deve dar
No despedimento coletivo, na extinção do posto de trabalho e no despedimento por inadaptação, a decisão tem de ser comunicada com a antecedência mínima do artigo 363.º, n.º 13:
| Antiguidade | Aviso prévio do empregador |
|---|---|
| Menos de 1 ano | 15 dias |
| 1 a menos de 5 anos | 30 dias |
| 5 a menos de 10 anos | 60 dias |
| 10 ou mais anos | 75 dias |
Se o empregador não cumprir o aviso por inteiro, o contrato só cessa depois de decorrer o período em falta, que é pago (n.º 4). Este aviso acumula com a compensação por despedimento, que é um direito distinto, e não afeta o acesso ao subsídio de desemprego. O despedimento por justa causa disciplinar não tem aviso prévio: segue um processo disciplinar próprio.
Contrato a termo e período experimental: prazos próprios
O fim normal de um contrato a termo certo (a caducidade) tem prazos fixos, independentes do salário4: o empregador comunica a não renovação com 15 dias de antecedência; o trabalhador, com 8 dias (artigo 344.º). No termo incerto, o empregador avisa com 7, 30 ou 60 dias, conforme o contrato tenha durado até 6 meses, de 6 meses a 2 anos, ou mais (artigo 345.º).
No período experimental, qualquer das partes pode fazer cessar o contrato sem aviso nos primeiros 60 dias; a partir daí o empregador precisa de 7 dias de aviso quando a experiência já durou mais de 60 dias, ou 30 dias quando durou mais de 120 (artigo 114.º). O trabalhador continua a poder sair sem aviso durante toda a experiência.
Quando não há aviso prévio a cumprir
- Resolução com justa causa pelo trabalhador (por exemplo, salários em atraso): não há aviso prévio e pode haver direito a indemnização (artigo 394.º).
- Vítimas de violência doméstica: a lei dispensa expressamente o cumprimento do aviso prévio na demissão (artigo 400.º, n.º 6).
- Acordo de revogação: se as partes acordarem o fim do contrato, definem livremente a data: não há prazo legal a cumprir.
Um exemplo do início ao fim
Imagine um contrato sem termo com 3 anos de antiguidade e 1000 € de retribuição base. A antiguidade passa dos dois anos, por isso o aviso prévio da demissão é de 60 dias. Se o trabalhador entregar a carta e só puder cumprir 30, ficam 30 dias em falta: deve ao empregador 1000 ÷ 30 × 30 = 1000 €. Se cumprir os 60 dias, não deve nada, e as férias vencidas e não gozadas são pagas no fecho de contas.
Faça a conta ao seu caso, incluindo o cenário de sair já, na calculadora de aviso prévio.
Erros comuns
Pensar que o aviso prévio é sempre de 30 dias
Os 30 dias são só um dos casos: com mais de dois anos de antiguidade a demissão exige 60 dias, num contrato a termo curto bastam 15, e no despedimento o prazo vai até 75 dias. O prazo depende da situação e da antiguidade.
Contar o prazo em dias úteis
O aviso prévio conta-se em dias seguidos (de calendário), a partir da comunicação ao empregador. Um aviso de 30 dias dado a 1 de setembro termina a 1 de outubro, incluindo fins de semana e feriados.
Achar que sair sem aviso não tem consequências
Tem um preço definido na lei: a indemnização ao empregador igual à retribuição base e diuturnidades do período em falta (artigo 401.º). Com 1000 € de base e 60 dias em falta, são 2000 €.
Confundir o aviso prévio com a indemnização por despedimento
São direitos diferentes: o aviso prévio é o tempo de antecedência da comunicação; a compensação por despedimento (artigo 366.º) é o valor pago pela cessação em si. No despedimento coletivo o trabalhador tem direito aos dois.
Perguntas frequentes
Quantos dias de aviso prévio tenho de dar para me demitir?
O que acontece se não cumprir o aviso prévio?
O aviso prévio conta em dias úteis ou seguidos?
O despedimento tem aviso prévio?
O fim de um contrato a termo tem aviso prévio?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 400.º (denúncia de contrato de trabalho pelo trabalhador) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
- 2.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 401.º (denúncia sem aviso prévio) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
- 3.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), art. 363.º (aviso prévio do despedimento coletivo) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
- 4.Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), arts. 344.º e 345.º (caducidade do contrato a termo) e 114.º (período experimental) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
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Thorben Rasmus Idel
Cofundador e autor
Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
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