Subsídio de funeral e subsídio por morte: quem tem direito e quanto
Quando alguém morre, a Segurança Social paga um apoio de uma só vez, mas o apoio certo depende da situação: o subsídio por morte de 1 611,39 € se o falecido descontava, o reembolso das despesas de funeral até esse valor, ou o subsídio de funeral de 268,57 € se não havia proteção social. Veja quem tem direito a cada um, como se repartem e os prazos para pedir.

Resposta rápida
A Segurança Social paga três apoios distintos, de uma só vez, quando alguém morre. Se o falecido descontava para a Segurança Social, a família recebe o subsídio por morte: 1 611,39 € em 2026 (3 × IAS), metade para o cônjuge e metade para os descendentes quando existem os dois grupos, sem exigir tempo mínimo de descontos, com prazo de 180 dias. Se quem pagou o funeral não é titular desse subsídio, pode pedir o reembolso das despesas até 1 611,39 €, em 90 dias. Se o falecido não estava abrangido por nenhum regime, quem pagou o funeral recebe o subsídio de funeral: 268,57 € (50% do IAS), reforçado para 1 611,39 € nos funerais de menores, nascituros e pessoas com incapacidade permanente absoluta, para óbitos desde 9 de abril de 2026.
Três apoios diferentes quando alguém morre
A morte de um familiar traz despesas imediatas, e a Segurança Social paga apoios de uma só vez para as compensar. O que muita gente não sabe é que existem três apoios distintos, e qual se aplica depende de uma pergunta simples: o falecido descontava para a Segurança Social?
- Descontava (trabalhador, independente ou pensionista) → a família recebe o subsídio por morte; quem pagou o funeral sem ser da família com direito pode pedir o reembolso das despesas de funeral.
- Não estava abrangido por nenhum regime de proteção social → quem pagou o funeral recebe o subsídio de funeral.
Nenhum destes apoios se confunde com a pensão de sobrevivência, que é uma prestação mensal com regras próprias. Estime o seu caso na calculadora de subsídio por morte e de funeral.
Subsídio de funeral: 268,57 € quando não havia Segurança Social
O subsídio de funeral é pago a quem provar ter pagado o funeral de uma pessoa que não estava abrangida por nenhum regime obrigatório de proteção social com direito a subsídio por morte3. O requerente tem de residir em Portugal (ou estar equiparado a residente), e o valor de 2026 é de 268,57 €, correspondente a 50% do IAS, fixado pela Portaria n.º 60/2026/1 com efeitos desde 1 de janeiro.
O prazo para pedir é de 6 meses, contados do primeiro dia do mês seguinte ao do óbito. O caso típico era, durante décadas, o funeral de quem nunca teve carreira contributiva, incluindo crianças, e é exatamente aí que a lei mudou em 2026.
O reforço de 2026: 1 611,39 € para menores e nascituros
O Decreto-Lei n.º 104/2026, de 25 de maio, reforçou o subsídio de funeral nas situações mais duras: quando o funeral é de um menor, de um nascituro ou de um titular de prestações por incapacidade permanente e absoluta para o trabalho sem rendimentos de trabalho, o valor sobe de 268,57 € para 1 611,39 €, o mesmo que o subsídio por morte de quem tem carreira contributiva4. A regra aplica-se aos óbitos ocorridos a partir de 9 de abril de 2026, a data em que o Governo aprovou o diploma.
Subsídio por morte: 1 611,39 € para a família de quem descontava
Se o falecido estava abrangido pelo regime geral da Segurança Social, a família tem direito ao subsídio por morte: um valor único de três vezes o IAS, ou seja, 3 × 537,13 € = 1 611,39 € em 20262. Dois pontos importantes1:
- Não há prazo de garantia: ao contrário da pensão de sobrevivência (36 meses de descontos), o subsídio por morte não exige tempo mínimo de contribuições.
- Há prazo para pedir: 180 dias a contar da data do óbito. Passado o prazo, o direito caduca.
Têm direito, por esta ordem: o cônjuge (com pelo menos 1 ano de casamento, se não houver filhos, salvo morte por acidente ou doença posterior ao casamento) ou o unido de facto há mais de 2 anos, e os ex-cônjuges com pensão de alimentos; os descendentes, mesmo por nascer, até aos 18 anos, até aos 25 se estudarem, até aos 27 em mestrado ou pós-graduação, e sem limite de idade com deficiência a receber prestações familiares (os enteados contam até aos 18 se o falecido lhes devia pensão de alimentos); os ascendentes a cargo do falecido, apenas quando não há cônjuge nem descendentes; e, na falta de todos, outros familiares a cargo (irmãos, tios, sobrinhos, entre outros).
Como se reparte o subsídio por morte
A repartição faz-se por grupos, e depois em partes iguais dentro de cada grupo1:
| Quem sobrevive | Repartição do 1 611,39 € |
|---|---|
| Cônjuge e descendentes | Metade ao grupo do cônjuge (805,70 €), metade aos descendentes (805,69 €) |
| Só cônjuge (ou unidos/ex-cônjuges) | Tudo ao grupo do cônjuge, em partes iguais |
| Só descendentes | Tudo aos descendentes, em partes iguais |
| Nem cônjuge nem descendentes | Tudo aos ascendentes a cargo, em partes iguais |
Com cônjuge e dois filhos, por exemplo, o cônjuge recebe 805,70 € e cada filho cerca de 402,85 €. Ao valor podem ser deduzidas despesas de funeral reembolsadas a quem não é titular e pensões recebidas indevidamente depois do óbito. Faça a conta ao seu caso na calculadora de subsídio por morte e de funeral.
Reembolso das despesas de funeral: quem pagou sem ser titular
Acontece muitas vezes ser um sobrinho, um vizinho ou um amigo a adiantar o custo do funeral de um beneficiário da Segurança Social. Quem pagou o funeral e não é titular do subsídio por morte pode pedir o reembolso das despesas comprovadas, até ao valor do próprio subsídio por morte: 1 611,39 € em 20265. O prazo é o mais curto dos três apoios: 90 dias a contar do falecimento. O valor reembolsado é depois deduzido ao subsídio pago à família.
Prazos e valores lado a lado
| Apoio | Valor 2026 | Quem recebe | Prazo para pedir |
|---|---|---|---|
| Subsídio por morte | 1 611,39 € (3 × IAS) | A família do beneficiário falecido | 180 dias |
| Reembolso das despesas | Até 1 611,39 € | Quem pagou o funeral sem ser titular | 90 dias |
| Subsídio de funeral | 268,57 € (50% do IAS) | Quem pagou o funeral de pessoa não abrangida | 6 meses |
| Subsídio de funeral reforçado | 1 611,39 € | Funerais de menores, nascituros e incapacidade absoluta | 6 meses |
No regime rural (RESSAA), o subsídio por morte tem um mínimo de 1,5 × IAS (805,70 €). Na função pública (CGA), o subsídio é de 3 vezes a pensão mensal ilíquida, com o teto de 3 × IAS. Nenhum destes valores paga IRS ou descontos.
E a pensão de sobrevivência?
O subsídio por morte acumula com a pensão de sobrevivência: um é o apoio imediato, pago de uma vez; a outra é o rendimento mensal que substitui parte da pensão ou do salário do falecido (60% para o cônjuge, por exemplo). A pensão tem regras próprias: exige um prazo de garantia de 36 meses de descontos do falecido e percentagens por titular. Em agregados de baixos rendimentos, vale a pena verificar também o Rendimento Social de Inserção e, para maiores de 66 anos, o Complemento Solidário para Idosos.
Um exemplo do início ao fim
Um trabalhador com descontos em dia morre, deixando cônjuge e um filho de 10 anos. A família pede o subsídio por morte dentro dos 180 dias: recebe 1 611,39 €, metade para o cônjuge (805,70 €) e metade para o filho (805,69 €), sem IRS nem descontos. Se, em vez disso, tivesse sido um vizinho a pagar 2 500 € de funeral e a família não pedisse nada, o vizinho teria 90 dias para pedir o reembolso, limitado a 1 611,39 €. E se o falecido fosse um menor sem enquadramento na Segurança Social, os pais teriam direito ao subsídio de funeral reforçado de 1 611,39 €, a pedir no prazo de 6 meses.
Estime o seu caso, com a repartição pela família, na calculadora de subsídio por morte e de funeral.
Erros comuns
Confundir o subsídio por morte com a pensão de sobrevivência
São prestações diferentes e acumuláveis: o subsídio por morte é um valor único de 1 611,39 € pago logo após o óbito e sem prazo de garantia; a pensão de sobrevivência é mensal, exige 36 meses de descontos do falecido e dura enquanto se mantiverem as condições.
Pedir o subsídio de funeral quando o falecido era beneficiário
O subsídio de funeral só existe quando o falecido não estava abrangido por nenhum regime de proteção social com direito a subsídio por morte. Se descontava para a Segurança Social, o que se aplica é o subsídio por morte (à família) ou o reembolso das despesas (a quem pagou o funeral).
Deixar passar o prazo, que é diferente em cada apoio
O subsídio por morte pede-se em 180 dias a contar do óbito; o reembolso das despesas de funeral em apenas 90 dias; o subsídio de funeral em 6 meses contados do primeiro dia do mês seguinte. Passado o prazo, o direito caduca.
Assumir que o viúvo recebe sempre tudo
Quando também há descendentes com direito, o cônjuge recebe só metade: a outra metade divide-se pelos filhos em partes iguais. E um viúvo sem filhos precisa de 1 ano de casamento (salvo acidente ou doença posterior) para ter direito.
Perguntas frequentes
Qual é o valor do subsídio de funeral em 2026?
Quem tem direito ao subsídio por morte?
Como se divide o subsídio por morte entre cônjuge e filhos?
O subsídio por morte exige um mínimo de descontos?
Paguei um funeral e não sou familiar. Posso ser reembolsado?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Decreto-Lei n.º 322/90, de 18 de outubro (proteção na eventualidade da morte dos beneficiários do regime geral) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
- 2.Requerer o subsídio por morte (valor e prazo em 2026) · gov.pt · consultado a 11/07/2026
- 3.Portaria n.º 60/2026/1, de 5 de fevereiro, art. 2.º n.º 3 (subsídio de funeral 2026: 268,57 €) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
- 4.Decreto-Lei n.º 104/2026, de 25 de maio (subsídio de funeral reforçado para menores, nascituros e incapacidade permanente absoluta) · Diário da República · consultado a 11/07/2026
- 5.Pedir o reembolso das despesas de funeral à Segurança Social (limite e prazo de 90 dias) · gov.pt · consultado a 11/07/2026
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Thorben Rasmus Idel
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Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
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Nahar Geva
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