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Calculadora Capital

O que é o crédito automóvel e como funciona?

O crédito automóvel financia a compra de um carro e paga-se em prestações mensais. Veja como a entrada e o valor residual mudam a prestação, e porque é a TAEG, e não a TAN, que mede o custo real.

5 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

O crédito automóvel é um crédito ao consumo para comprar um carro, que se paga em prestações mensais. Financia o preço menos a entrada, costuma ter taxas mais baixas e prazos mais longos do que um crédito pessoal e pode incluir um valor residual (uma entrega final maior que baixa a prestação mas que paga no fim). A prestação calcula-se pelo sistema francês. Para comparar propostas use a TAEG, não a TAN: a TAEG junta os juros e todos os encargos e mede o custo real, sendo sempre superior à TAN.

O que é o crédito automóvel?

O crédito automóvel é uma forma de crédito ao consumo destinada a comprar um carro, novo ou usado, que se reembolsa em prestações mensais1. Financia o preço do carro menos a entrada que der e, em regra, tem taxas mais baixas e prazos mais longos do que um crédito pessoal, porque o próprio carro serve de garantia: é frequente o banco ficar com a reserva de propriedade do veículo até o crédito estar pago.

A característica que mais o distingue de um crédito pessoal é a possibilidade de incluir um valor residual: uma entrega final maior, reservada para o fim do contrato, que baixa a prestação durante o crédito mas que tem de pagar (ou refinanciar) no final.

Entrada e valor residual: o que muda a prestação

Dois fatores próprios do crédito automóvel mexem com a prestação:

  • A entrada é a parte do preço que paga do seu bolso. Só se financia o preço menos a entrada, por isso uma entrada maior reduz o capital em dívida, a prestação e o total de juros.
  • O valor residual é uma parcela do financiamento que fica reservada para o fim. Durante o contrato, a prestação só amortiza a diferença, o que a torna mais baixa; no fim, paga esse valor de uma só vez. Um valor residual mais alto baixa a mensalidade, mas aumenta o total de juros, porque o capital fica mais tempo a vencer juros.

Como se calcula a prestação

A prestação é constante e segue o chamado sistema francês: em cada mês, parte da prestação paga os juros sobre o capital ainda em dívida e a outra parte amortiza capital, até deixar apenas o valor residual no fim. A fórmula é:

prestação = (financiado − valor residual ÷ (1 + i)^n) × i / (1 − (1 + i)^−n)

em que i é a taxa mensal (a TAN dividida por 12) e n é o número de meses. Com valor residual zero, o termo entre parênteses fica igual ao capital financiado e a fórmula reduz-se à de um crédito totalmente amortizado.

TAN, TAEG e o custo real do crédito

São duas taxas diferentes, e confundi-las é o erro mais comum:

  • A TAN (taxa anual nominal) é a taxa de juro que gera a prestação. É a que entra na fórmula acima.
  • A TAEG (taxa anual de encargos efetiva global) é a que mede o custo real: junta os juros e todos os encargos do crédito, como a comissão de abertura, as comissões mensais, os seguros associados e o imposto do selo2.

Por isso a TAEG é sempre superior à TAN. É a TAEG, e não a TAN, que deve usar para comparar propostas de bancos diferentes. Para perceber em detalhe o que a TAEG inclui, veja o que é a TAEG.

Quanto custa? (exemplo prático)

Imagine um carro de 25 000 €, com uma entrada de 5 000 € (financia 20 000 €), a 60 meses (5 anos), com uma TAN de 8,5 % e um valor residual de 4 000 €:

  • A prestação é de cerca de 356,60 € por mês. É mais baixa do que os 410,33 € que pagaria sem valor residual, mas no fim ainda paga os 4 000 € da entrega final.
  • Ao longo do contrato pagaria perto de 25 396 € (incluindo a entrega final), dos quais cerca de 5 396 € são juros.
  • A TAEG seria de 8,84 % (a TAN capitalizada mensalmente, já que não há comissões neste exemplo).

Faça a conta com os seus valores na calculadora de crédito automóvel, que mostra a prestação, a entrega final, a TAEG e o custo total, ou compare com um crédito pessoal sem valor residual.

Crédito, leasing ou renting?

Comprar um carro a crédito não é a única via, e os produtos confundem-se:

  • No crédito automóvel, o carro é seu desde o início (com reserva de propriedade ao banco até estar pago) e fica-lhe a pertencer no fim.
  • No leasing, paga pela utilização do carro durante um prazo e tem uma opção de compra no final (paga o valor residual para ficar com ele).
  • No renting, paga uma mensalidade que inclui serviços como seguro e manutenção e devolve o carro no fim, sem o comprar.

Esta calculadora trata do crédito automóvel. O leasing e o renting são produtos distintos, com regras fiscais e contratuais próprias.

O que ver antes de assinar

Antes de contratar, o banco entrega a ficha de informação normalizada (FINE), que reúne a TAN, a TAEG, as comissões, os seguros e o montante total imputado ao consumidor (tudo o que vai pagar). Use-a para comparar e tenha presente que:

  • O Banco de Portugal publica, a cada trimestre, as taxas máximas (TAEG) que podem ser cobradas em cada tipo de crédito ao consumo1. Uma proposta acima desse limite é ilegal.
  • Tem 14 dias para desistir do contrato (direito de livre revogação), sem precisar de justificar.
  • Pode reembolsar antecipadamente o crédito, com uma comissão limitada por lei.

O crédito automóvel é uma ferramenta útil quando o carro é necessário e a prestação cabe com folga no orçamento. Compare sempre pela TAEG, conte com o valor residual se existir e escolha o prazo mais curto que consegue pagar sem apertar as contas.

Erros comuns

  • Comparar propostas pela prestação

    Uma prestação baixa pode esconder um valor residual alto ou um prazo longo, que disparam os juros totais. Compare sempre pela TAEG e olhe para o custo total do crédito, não só para a mensalidade.

  • Esquecer o valor residual

    Se o crédito tiver valor residual, no fim ainda tem de pagar essa quantia de uma só vez (ou refinanciá-la). Conte com ela no seu plano, não se deixe levar só pela prestação mais baixa durante o contrato.

  • Confundir crédito, leasing e renting

    São produtos diferentes. No crédito o carro é seu desde o início; no leasing há uma opção de compra no fim; no renting paga pela utilização e devolve o carro. Veja qual faz sentido antes de decidir.

Perguntas frequentes

O que é o crédito automóvel?
É uma forma de crédito ao consumo destinada a comprar um carro, novo ou usado, que se reembolsa em prestações mensais. Financia o preço do carro menos a entrada, costuma ter taxas mais baixas e prazos mais longos do que um crédito pessoal e, em regra, o banco fica com a reserva de propriedade do veículo até o crédito estar pago.
Como se calcula a prestação do crédito automóvel?
Financia-se o preço menos a entrada e aplica-se a fórmula da amortização (sistema francês): prestação = (financiado − valor residual ÷ (1 + i)^n) × i / (1 − (1 + i)^−n), em que i é a taxa mensal (a TAN dividida por 12) e n é o número de meses. Sem valor residual, a fórmula simplifica para a prestação de um crédito totalmente amortizado.
O que é o valor residual no crédito automóvel?
É uma parcela do financiamento reservada para o fim do contrato. Durante o crédito, a prestação só amortiza a diferença, por isso é mais baixa; no fim, tem de pagar o valor residual de uma só vez, refinanciá-lo ou, em alguns produtos, devolver o carro. Um valor residual mais alto baixa a prestação mas aumenta o total de juros que paga.
Qual é a diferença entre crédito automóvel, leasing e renting?
No crédito automóvel o carro é seu desde o início (com reserva de propriedade ao banco até estar pago). No leasing paga pela utilização durante um prazo e há uma opção de compra no fim. No renting paga uma mensalidade que inclui serviços (seguro, manutenção) e devolve o carro no fim. Esta calculadora trata do crédito automóvel.
Há um limite para a taxa de juro de um crédito automóvel?
Sim. O Banco de Portugal publica, a cada trimestre, as taxas máximas (TAEG) que os bancos podem cobrar em cada tipo de crédito ao consumo, incluindo o crédito automóvel. Uma proposta com TAEG acima desse limite é ilegal. Confirme sempre a TAEG na ficha de informação normalizada.

Fontes

  1. 1.Crédito aos consumidores: TAN, TAEG e comissões · Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário · consultado a 13/06/2026
  2. 2.Decreto-Lei n.º 133/2009, regime do crédito aos consumidores · Diário da República · consultado a 13/06/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Cofundador e autor

Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.

Revisto por

Nahar Geva

Cofundação e revisão independente

Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.

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