O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço é a conta que decide se o banco lhe aprova o crédito. Veja o que é, como se calcula e qual o limite que não deve ultrapassar.
Resposta rápida
A taxa de esforço é a parte do rendimento líquido mensal do agregado que vai para pagar créditos. Calcula-se dividindo os encargos mensais com créditos pelo rendimento líquido e multiplicando por 100. Como referência prudente não deve ultrapassar cerca de 35 % (perto de um terço do rendimento). Há ainda um limite que os bancos devem respeitar: pela recomendação macroprudencial do Banco de Portugal, o crédito novo só deve ser concedido com uma taxa de esforço (rácio DSTI) até 50 %, com exceções limitadas.
O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço é a parte do rendimento líquido mensal do agregado familiar que está comprometida com o pagamento de créditos: o crédito da casa, o do carro, um crédito pessoal ou os cartões1. Por outras palavras, mede quanto do que entra «à mão» todos os meses já está reservado para pagar dívidas.
É a primeira conta que um banco faz antes de aprovar um empréstimo: serve para avaliar se o agregado tem capacidade para pagar a nova prestação sem ficar asfixiado. Quanto mais baixa a taxa de esforço, maior a folga do orçamento e maior a probabilidade de o crédito ser aprovado.
Como se calcula a taxa de esforço?
A fórmula é simples1:
taxa de esforço = encargos mensais com créditos ÷ rendimento líquido mensal × 100
- No rendimento, conte o valor líquido (depois de IRS e Segurança Social) de todas as pessoas do agregado.
- Nos encargos, some todas as prestações de crédito, habitação, automóvel, crédito pessoal e o pagamento mínimo dos cartões.
Por exemplo, um agregado com 2 000 € de rendimento líquido que paga 600 € de prestações tem uma taxa de esforço de 30 % (600 ÷ 2 000). Pode fazer esta conta na nossa calculadora de taxa de esforço e ver quanto sobra para uma nova prestação.
Qual é a taxa de esforço recomendada?
Como referência prudente, a taxa de esforço não deve ultrapassar cerca de 35 % do rendimento líquido, perto de um terço. É a margem que costuma deixar o orçamento respirar: sobra dinheiro para as despesas do dia a dia, para poupar e para aguentar imprevistos.
Acima dos 35 %, o esforço é elevado e qualquer choque pesa muito mais, uma subida da Euribor que aumente a prestação, uma despesa de saúde ou uma quebra de rendimento. Por isso, mesmo quando o banco aceita ir mais alto, vale a pena olhar para os 35 % como o seu próprio limite de conforto.
Qual é o limite que os bancos têm de respeitar?
Além da prudência, há uma regra. Pela recomendação macroprudencial do Banco de Portugal, os bancos só devem conceder crédito novo com uma taxa de esforço (o chamado rácio DSTI, debt service-to-income) até 50 %2. Há exceções limitadas: até 10 % do montante de crédito novo de cada banco pode ir até 60 %, e uma pequena parcela pode ultrapassar os limites.
É por isso que uma taxa de esforço acima de 50 % torna a aprovação de um crédito muito difícil.
Atenção (valor sujeito a alteração): o limite em vigor é de 50 %, mas o Banco de Portugal consultou o setor sobre baixar este limite para 45 %, com aplicação prevista a partir de agosto de 2026. Confirme sempre o valor em vigor junto do seu banco quando pedir crédito.
Que rendimentos e encargos entram no cálculo?
- Entram no rendimento: salários e ordenados líquidos de todo o agregado, e rendimentos regulares (por exemplo, rendas recebidas ou prestações sociais estáveis).
- Entram nos encargos: todas as prestações de crédito, habitação, automóvel, crédito pessoal, crédito ao consumo e o pagamento dos cartões de crédito.
- Não entram: despesas correntes como água, luz, gás, telecomunicações, supermercado, escola ou combustível. São importantes para o seu orçamento, mas não fazem parte da taxa de esforço.
Como baixar a taxa de esforço?
Se a sua taxa de esforço está alta, há várias formas de a reduzir:
- Reduzir os encargos: consolidar vários créditos num só ou renegociar prazos e taxas para baixar a prestação total.
- Aumentar o rendimento: incluir o rendimento líquido de um segundo titular do agregado.
- Dar uma entrada maior: financiar menos capital baixa a prestação (e a taxa de esforço).
- Alargar o prazo: uma prestação menor reduz a taxa de esforço, mas aumenta o juro total pago ao longo do crédito; é um compromisso a ponderar.
A nossa calculadora de taxa de esforço mostra qual a prestação máxima que ainda o mantém nos 35 %, útil para perceber quanto pode pedir antes de avançar para a calculadora de prestação do crédito habitação.
Erros comuns
Usar o rendimento bruto em vez do líquido
A taxa de esforço calcula-se sobre o rendimento líquido, o que recebe depois do IRS e da Segurança Social. Usar o valor bruto dá uma taxa de esforço artificialmente baixa e uma falsa sensação de folga.
Esquecer créditos pequenos e cartões
Conta tudo: crédito habitação, automóvel, crédito pessoal e o pagamento dos cartões de crédito. Vários créditos pequenos somam e podem ser o que empurra a taxa de esforço acima do limite.
Confundir taxa de esforço com despesas mensais
A taxa de esforço mede só o peso dos créditos, não o orçamento todo. Água, luz, supermercado, escola e combustível são despesas importantes, mas não entram no cálculo da taxa de esforço.
Perguntas frequentes
O que é a taxa de esforço?
Como se calcula a taxa de esforço?
Qual é a taxa de esforço máxima recomendada?
Qual é o limite da taxa de esforço imposto aos bancos?
Que rendimentos e encargos entram no cálculo?
Como posso baixar a minha taxa de esforço?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Crédito à habitação, avaliação da solvabilidade e taxa de esforço · Banco de Portugal, Portal do Cliente Bancário · consultado a 1/06/2026
- 2.Para que serve a medida macroprudencial para os novos contratos de crédito celebrados com consumidores · Banco de Portugal · consultado a 1/06/2026
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Thorben Rasmus Idel
Cofundador e autor
Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
Revisto por
Nahar Geva
Cofundação e revisão independente
Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.
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