Saltar para o conteúdo
Calculadora Capital

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço é a conta que decide se o banco lhe aprova o crédito. Veja o que é, como se calcula e qual o limite que não deve ultrapassar.

4 min de leituraRevisto a Por Thorben Rasmus IdelRevisto por Nahar Geva

Resposta rápida

A taxa de esforço é a parte do rendimento líquido mensal do agregado que vai para pagar créditos. Calcula-se dividindo os encargos mensais com créditos pelo rendimento líquido e multiplicando por 100. Como referência prudente não deve ultrapassar cerca de 35 % (perto de um terço do rendimento). Há ainda um limite que os bancos devem respeitar: pela recomendação macroprudencial do Banco de Portugal, o crédito novo só deve ser concedido com uma taxa de esforço (rácio DSTI) até 50 %, com exceções limitadas.

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço é a parte do rendimento líquido mensal do agregado familiar que está comprometida com o pagamento de créditos: o crédito da casa, o do carro, um crédito pessoal ou os cartões1. Por outras palavras, mede quanto do que entra «à mão» todos os meses já está reservado para pagar dívidas.

É a primeira conta que um banco faz antes de aprovar um empréstimo: serve para avaliar se o agregado tem capacidade para pagar a nova prestação sem ficar asfixiado. Quanto mais baixa a taxa de esforço, maior a folga do orçamento e maior a probabilidade de o crédito ser aprovado.

Como se calcula a taxa de esforço?

A fórmula é simples1:

taxa de esforço = encargos mensais com créditos ÷ rendimento líquido mensal × 100

  • No rendimento, conte o valor líquido (depois de IRS e Segurança Social) de todas as pessoas do agregado.
  • Nos encargos, some todas as prestações de crédito, habitação, automóvel, crédito pessoal e o pagamento mínimo dos cartões.

Por exemplo, um agregado com 2 000 € de rendimento líquido que paga 600 € de prestações tem uma taxa de esforço de 30 % (600 ÷ 2 000). Pode fazer esta conta na nossa calculadora de taxa de esforço e ver quanto sobra para uma nova prestação.

Qual é a taxa de esforço recomendada?

Como referência prudente, a taxa de esforço não deve ultrapassar cerca de 35 % do rendimento líquido, perto de um terço. É a margem que costuma deixar o orçamento respirar: sobra dinheiro para as despesas do dia a dia, para poupar e para aguentar imprevistos.

Acima dos 35 %, o esforço é elevado e qualquer choque pesa muito mais, uma subida da Euribor que aumente a prestação, uma despesa de saúde ou uma quebra de rendimento. Por isso, mesmo quando o banco aceita ir mais alto, vale a pena olhar para os 35 % como o seu próprio limite de conforto.

Qual é o limite que os bancos têm de respeitar?

Além da prudência, há uma regra. Pela recomendação macroprudencial do Banco de Portugal, os bancos só devem conceder crédito novo com uma taxa de esforço (o chamado rácio DSTI, debt service-to-income) até 50 %2. Há exceções limitadas: até 10 % do montante de crédito novo de cada banco pode ir até 60 %, e uma pequena parcela pode ultrapassar os limites.

É por isso que uma taxa de esforço acima de 50 % torna a aprovação de um crédito muito difícil.

Atenção (valor sujeito a alteração): o limite em vigor é de 50 %, mas o Banco de Portugal consultou o setor sobre baixar este limite para 45 %, com aplicação prevista a partir de agosto de 2026. Confirme sempre o valor em vigor junto do seu banco quando pedir crédito.

Que rendimentos e encargos entram no cálculo?

  • Entram no rendimento: salários e ordenados líquidos de todo o agregado, e rendimentos regulares (por exemplo, rendas recebidas ou prestações sociais estáveis).
  • Entram nos encargos: todas as prestações de crédito, habitação, automóvel, crédito pessoal, crédito ao consumo e o pagamento dos cartões de crédito.
  • Não entram: despesas correntes como água, luz, gás, telecomunicações, supermercado, escola ou combustível. São importantes para o seu orçamento, mas não fazem parte da taxa de esforço.

Como baixar a taxa de esforço?

Se a sua taxa de esforço está alta, há várias formas de a reduzir:

  1. Reduzir os encargos: consolidar vários créditos num só ou renegociar prazos e taxas para baixar a prestação total.
  2. Aumentar o rendimento: incluir o rendimento líquido de um segundo titular do agregado.
  3. Dar uma entrada maior: financiar menos capital baixa a prestação (e a taxa de esforço).
  4. Alargar o prazo: uma prestação menor reduz a taxa de esforço, mas aumenta o juro total pago ao longo do crédito; é um compromisso a ponderar.

A nossa calculadora de taxa de esforço mostra qual a prestação máxima que ainda o mantém nos 35 %, útil para perceber quanto pode pedir antes de avançar para a calculadora de prestação do crédito habitação.

Erros comuns

  • Usar o rendimento bruto em vez do líquido

    A taxa de esforço calcula-se sobre o rendimento líquido, o que recebe depois do IRS e da Segurança Social. Usar o valor bruto dá uma taxa de esforço artificialmente baixa e uma falsa sensação de folga.

  • Esquecer créditos pequenos e cartões

    Conta tudo: crédito habitação, automóvel, crédito pessoal e o pagamento dos cartões de crédito. Vários créditos pequenos somam e podem ser o que empurra a taxa de esforço acima do limite.

  • Confundir taxa de esforço com despesas mensais

    A taxa de esforço mede só o peso dos créditos, não o orçamento todo. Água, luz, supermercado, escola e combustível são despesas importantes, mas não entram no cálculo da taxa de esforço.

Perguntas frequentes

O que é a taxa de esforço?
É a percentagem do rendimento líquido mensal do agregado que está comprometida com o pagamento de créditos, habitação, automóvel, crédito pessoal e cartões. Quanto maior a taxa de esforço, menor a margem do orçamento para imprevistos.
Como se calcula a taxa de esforço?
Divide-se o total das prestações mensais de crédito pelo rendimento líquido mensal do agregado e multiplica-se por 100: taxa de esforço = encargos com créditos ÷ rendimento líquido × 100. Por exemplo, 600 € de prestações com 2 000 € de rendimento líquido dão 30 %.
Qual é a taxa de esforço máxima recomendada?
Como referência prudente, a taxa de esforço não deve ultrapassar cerca de 35 % do rendimento líquido (perto de um terço). É uma orientação que deixa margem para subidas da prestação e para imprevistos; acima disso o esforço é considerado elevado.
Qual é o limite da taxa de esforço imposto aos bancos?
Pela recomendação macroprudencial do Banco de Portugal, os bancos só devem conceder crédito novo com uma taxa de esforço (rácio DSTI) até 50 %, admitindo exceções limitadas, até 10 % do crédito novo de cada banco pode chegar aos 60 %. O Banco de Portugal consultou o setor sobre baixar este limite para 45 %.
Que rendimentos e encargos entram no cálculo?
No rendimento, o valor líquido mensal de todas as pessoas do agregado, incluindo rendimentos regulares. Nos encargos, todas as prestações de crédito. Despesas correntes como água, luz, supermercado ou escola não entram na taxa de esforço.
Como posso baixar a minha taxa de esforço?
Pode reduzir os encargos (consolidar ou renegociar créditos), aumentar o rendimento do agregado, dar uma entrada maior para financiar menos, ou alargar o prazo do crédito, o que reduz a prestação mas aumenta o juro total pago.

Fontes

  1. 1.Crédito à habitação, avaliação da solvabilidade e taxa de esforçoBanco de Portugal, Portal do Cliente Bancário · consultado a 1/06/2026
  2. 2.Para que serve a medida macroprudencial para os novos contratos de crédito celebrados com consumidoresBanco de Portugal · consultado a 1/06/2026

Autor / Revisto por

Autor

Thorben Rasmus Idel

Founder & writer

Co-founder of Calculadora Capital. Writes the methodology and verifies the math behind every page.

Revisto por

Nahar Geva

Co-founder & reviewer

Co-founder of Calculadora Capital. Reviews the methodology and verifies the math behind every page.

Publicado: Atualizado: Revisto: