Como calcular a rentabilidade de um investimento
Calcular a rentabilidade de um investimento é mais do que olhar para o saldo final. O que conta é o ganho face ao que investiu, e quanto vale em poder de compra de hoje.
Resposta rápida
A rentabilidade de um investimento mede o ganho face ao que investiu, não o saldo final. Distinga o retorno total do anualizado e olhe sempre para o valor real (ajustado à inflação), não apenas para o nominal.
O que é a rentabilidade de um investimento?
A rentabilidade mede quanto ganhou face ao que investiu, não o saldo final em si. Dois investidores podem terminar com o mesmo valor na conta e ter rentabilidades muito diferentes: o que distingue é quanto cada um colocou para lá chegar1.
A forma mais simples de a medir é a rentabilidade total:
rentabilidade total = (valor final − total investido) ÷ total investido
Por exemplo, se investiu 10 000 € no total e terminou com 13 000 €, a rentabilidade total foi de 3 000 ÷ 10 000 = 30%. Mas 30% ao longo de quantos anos? É aí que entra o retorno anualizado.
Retorno total e retorno anualizado
O retorno anualizado traduz o ganho total numa taxa média por ano, contando já com os juros compostos. É o número que permite comparar de forma justa investimentos com prazos diferentes: 30% em 3 anos não é o mesmo que 30% em 10.
No exemplo acima, 30% em 5 anos corresponde a cerca de 5,4% ao ano; em 10 anos, a cerca de 2,7% ao ano. O mesmo ganho total parece muito mais modesto quando esticado por mais tempo, e é por isso que o prazo tem de fazer sempre parte da conta.
Não precisa de fazer estas contas à mão. A nossa calculadora de rentabilidade de investimento projeta o valor final, o total investido e o ganho a partir de um montante inicial, uma contribuição mensal e o retorno que indicar.
Valor nominal e valor real: a parte que muitos esquecem
O número que vê na conta no futuro é o valor nominal. Mas o que realmente importa é o valor real: quanto esse montante vale em poder de compra de hoje, depois de descontar a inflação. A fórmula é direta:
VF_real = VF_nominal ÷ (1 + inflação)^anos
Imagine que projeta 124 379 € daqui a 20 anos. Com uma inflação média de 2% ao ano, esse montante equivale a cerca de 83 704 € a preços de hoje. O dinheiro continua a crescer, mas a inflação come uma parte do ganho. Olhar só para o valor nominal dá uma sensação de riqueza maior do que a real.
A regra prática: um ganho nominal de 5% ao ano, com 3% de inflação, é apenas cerca de 2% real. Por isso, ao avaliar um investimento de longo prazo, raciocine sempre em termos reais.
O papel das contribuições mensais
O montante inicial é só o ponto de partida. Contribuições mensais constantes somam-se ao saldo e passam, elas próprias, a render. Com o tempo, através dos juros compostos, são muitas vezes as contribuições regulares, e não o montante inicial, que constroem a maior parte do resultado.
Veja o exemplo: 5 000 € iniciais, 200 € por mês, a 7% ao ano durante 20 anos. Investe 53 000 € no total e o saldo projetado é de cerca de 124 379 €. Mais de 71 000 € são ganho, e a maior parte vem das contribuições mensais a capitalizar ano após ano. A regularidade costuma pesar mais do que tentar acertar no "momento certo" do mercado.
Que retorno usar nas projeções
O retorno futuro é uma estimativa, nunca uma garantia. Como referência, a média histórica de longo prazo de um índice de ações global como o S&P 500 ronda os 7% ao ano em termos reais (acima da inflação), mas com anos muito bons e anos negativos pelo meio.
Algumas regras de prudência ao escolher a taxa:
- Use uma taxa moderada, abaixo do melhor cenário histórico, para não criar expectativas irrealistas.
- Compare cenários (por exemplo 4%, 6% e 8%) em vez de fixar um único número.
- Lembre-se do risco: ações podem cair de forma acentuada, sobretudo em prazos curtos. A média de longo prazo só se materializa com tempo e disciplina.
Rentabilidade bruta e líquida: os impostos
Há ainda os impostos. Em Portugal, as mais-valias de ações e fundos são, em regra, tributadas a uma taxa autónoma de 28%2. A rentabilidade líquida (depois de imposto) é, por isso, inferior à bruta.
Uma forma simples de aproximar o efeito é projetar com um retorno um pouco mais baixo do que o esperado bruto. Se calcula o imposto na venda, pode usar a calculadora de mais-valias para estimar quanto fica para o Estado.
Como pôr tudo junto
Para avaliar bem um investimento, junte as três peças:
- A rentabilidade face ao que investiu, não o saldo final isolado.
- O prazo, através do retorno anualizado, para comparar de forma justa.
- A inflação e os impostos, para chegar ao ganho real e líquido.
Experimente os seus próprios valores na calculadora de rentabilidade de investimento e veja, ano a ano, o valor nominal e o valor real lado a lado. O objetivo não é prever o futuro ao cêntimo, mas perceber a ordem de grandeza e tomar decisões com expectativas realistas.
Erros comuns
Confundir saldo final com rentabilidade
Um saldo grande pode esconder pouca rentabilidade se investiu muito; o que conta é o ganho face ao total investido.
Ignorar a inflação
Um ganho nominal de 5% com inflação de 3% é apenas cerca de 2% em poder de compra real.
Perguntas frequentes
Como se calcula a rentabilidade de um investimento?
Qual a diferença entre valor nominal e valor real?
Que retorno devo assumir?
A rentabilidade paga impostos?
Leitura e calculadoras relacionadas
Fontes
- 1.Todos Contam, Portal de educação financeira · Banco de Portugal · consultado a 10/06/2026
- 2.Artigo 72.º do Código do IRS, Taxas especiais · Autoridade Tributária e Aduaneira / Portal das Finanças · consultado a 10/06/2026
Autor / Revisto por
Autor
Thorben Rasmus Idel
Cofundador e autor
Cofundador da Calculadora Capital e autor da metodologia de todas as calculadoras e artigos. Empresário e investidor ativo, Thorben fundou a Idel Versandhandel GmbH, uma empresa de comércio internacional presente em 16 países, e investe em ações, ETF e criptomoedas. É ele quem escreve a metodologia e confirma as contas de cada página, trazendo a experiência de quem gere um negócio e investe para manter as ferramentas e as explicações próximas da forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem vive em Portugal.
Revisto por
Nahar Geva
Cofundação e revisão independente
Cofundação da Calculadora Capital e revisão independente de todas as calculadoras e artigos. Com um percurso de empreendedorismo e de investimento ativo nos mercados, Nahar junta uma abordagem orientada por dados e por produto à experiência de investir em ações e ETF, em criptomoedas e outros ativos digitais, e ainda em finanças pessoais e imobiliário. Em cada página, Nahar revê a metodologia e confere as contas e os valores, testando se as ferramentas e as explicações resistem à forma como o dinheiro, os mercados e os impostos funcionam de facto para quem investe.
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